Vejo uma confusão de barulhos, vozes, risos. Mesmo quando estou sozinha ela não vem. E aquela que achei mágico o encontro, também não. É engraçado o quanto me engano. Não sei se é ingenuidade, se é loucura, se é dificuldade. Sei que sempre entendo errado e dou com a cara na parede. A noite está fria, o pão de beijo acabou e o silêncio continua. Silêncio, em meio a tanto barulho. Tenho vontade de ir embora. Não vou. Não posso permitir mais que esses encontros controlem meu caminho. Não posso entrar em uma espiral de sonhos imbecis e amores inexistentes. Queria que me amassem ou ao menos fingissem consistentemente. Não amam. Fingem dia sim, dia não. Não sei o que sentem. A cada vez que se cruzam nasce uma trincheira e eu no meio. Não escolhi isso. Ela nisso me colocou. A escolha não havia: perde-la ou aceitar. Aceitei. Ela também. Não era o ideal, não era o que ninguém queria. Ainda assim, esquecem que eu, e somente eu, dei tudo que tinha. Queria o mínimo. Ser tratada feito gente. Gente como sou. Como fui com ambas. Queria vontade, sinceridade e não escolhas extremas. Odeio fazer escolhas. Ainda assim sou forçada a fazê-las a cada esquina a cada respiro. Não é possível que assim seja. Tratam-me como se objeto fosse. Pegam o que querem e me descartam. Seja ela, seja a outra, seja ainda uma terceira. Tratam-me mal. Sequer me tratam. E eu vivendo no meio disso tudo com o peito aberto e o coração cheio. Poucas vezes desejei mal a alguém. Pois agora desejo de volta apenas aquilo que me dão. E o que me dão é péssimo. Como se eu robô fosse. Que se vão, então. Pra longe de mim, muito longe. Adeus a ela, adeus a todas vocês. Ou aprendam a me tratar feito gente que tanto deu, ou vão-se embora igual fez a terceira. Quando perceberem que me fui, não estarei mais aqui para retornar.
sábado, 30 de agosto de 2025
quinta-feira, 21 de agosto de 2025
Troubles
Tem duas de mim ainda muito presentes, uma fantasma, uma vivendo. Já tive muitas outras mas na distância do tempo se guardaram, se esvairam. Essa outra não. Fantasma porém viva. Um conjunto de memórias e sentimentos atrelados a uma vida que já não é mais minha. You could have had it all. É o que sempre penso. Talvez essa fantasma ainda consiga fazer o coração palpitar, a cabeça descansar. Mas eu que vivo já não sei o que fazer. Estranho. Não sei quem é você por que não sou mais quem fui. Você também é outro. Uma casca diferente, uma vontade outra, uma liberdade além. Era o que eu queria. Sei hoje que a responsabilidade era minha de me dar. Mas essa que é fantasma não sabia. Tentei de tudo pra que você ficasse. Te dei todas as pistas e todas as verdades. Você não quis. Seu outro eu ainda não havia nascido. Se tivesse talvez ficasse, não sei. O que não poderia era ser eu sendo a fantasma. Você me diz querer que eu fosse fantasma com muito do que você hoje vê. Sem tantas mulheres, talvez. Não seria possível. Pra que eu fosse eu era preciso que eu fosse inteira, era preciso que eu nascesse. Mas isso, você já não queria. É uma impossibilidade, então. Pena. Pra mim, fantasma ou eu, sempre é possível quando se ama alguém. Não é posse. Não é dependência. É escolha de amar em liberdade. A cada dia escolher amar. Como escolhi por tantos anos. Eu já te amava assim, com uma quase liberdade que não podia ser. Você poderia ser livre, se quisesse. Poderia acreditar que estar com alguém por escolha cotidiana é maior que estar por promessas de para sempre. Não quis. Agora já não sabe bem o que quer mas pensa saber o que não quer. Eu assisto e calo minha fantasma. Um abraço e tudo vai, tudo vem. Estranho.
terça-feira, 19 de agosto de 2025
birdie girl
The universe keeps listening to me. Like it knows what I need. On a Monday I felt all the stars. Her eyes like tinny black marbels, filled with sorrow and yet, a glow. The pain she carries doesn't weight her down. It makes her float. In a world of superficial conversations and individualism, her touch connects me to the universe. It's like she dances through thin air. She sweeped into my life with a short "yes, please". No time to waste. No texts. Just a certainty that we had to meet. Neither of us knew if we would follow through. Yet here we are sharing words sitting on the grass. Here we are learning each other's world. Each other's pain. So many crossings. I listen and our fingers intertwine when she tells me she's been there. It's like our fingers belong like that. As if we're old friends, she comes to stay. To wake up by myside. I dreamed of making coffee for a beautiful woman someday. Kissing her neck and hugging her from behind. Suddenly it's her, a birdie girl but with a different letter, standing on my kitchen, laying on my bed. I know she's in pain. Or worse, in numbness. But I know I made her remember what's it like to feel. To experience. To connect. And I know that I just gave her some ground, the standing and walking was all her work. Strenght. From the words stuck on her throat comes her story and her sweet, sweet voice. Just like a singing bird I finally hear her in the distance. Timid, yet hers. Timid, yet alive. Timid, yet filling up the room with melody. Timid, yet Robyn. I said I would never rush things, but with her we aren't rushing. We're swimming in an open ocean, carefully holding on to eachother to face the waves. We drift apart, yet we remain connected. I wish I could see her face everyday. I wish I could hear her singing everyday. I wish I could take away all the pain and watch her float through the streets, as she does, yet painlessly. I am me and she is an entire universe. Awakening, she says. I say let's lay down and sleep, her head on my chest, her soft voice on my mind. Not even scared, because she sets me free. We set each other free. Finally somewhere I can breath.
quinta-feira, 14 de agosto de 2025
TTC
terça-feira, 5 de agosto de 2025
Valsa para Maria
A vida é arte
Sem pintar não respiro.
Desenho as cores
do arco íris e penso
que não sei pintar.
Desenho maluco,
vontade danada,
De forma alguma
impossível de imaginar.
O que se imagina se é
Se pinta e se banha
Se leva e se vai
Amor é liberdade
Dançar com quem se dança mais.
Ver os passos da bailarina
Nasceu estrela,
Maria que brilha,
Que faz brilhar.
No caminho magia
Sem ela sem vida
Tudo caminha
Pra tudo mudar.
Lavar a alma Maria
Pra um novo sonho
ela nadar.
Voa Maria,
que eu te espero,
Um dia e outro
Você vai retornar.
Pra mim e pra eles
Pra elas e todas
Maria é do mundo,
E sempre será.
sábado, 2 de agosto de 2025
wine and weed
The last time I saw these waters
I wanted to die.
Now I look at the waves
I hear their cry
I ressonate
Yet I hope
To live one more day
And another
And another
More.
The universe plays a long game
I don't understand.
Yet I hope
To fulfill it's wishes
And that its wishes are
What i crave.
The music flows through me
I see her
And she
Yet I hope
I will stop wanting
All who don't want
Me.