sábado, 19 de abril de 2025

artists

I never thought I would fall for you. I didn't see the days pass, I didn't notice. My mind wanders thinking of the backroom of the theatre we work at. Suddenly you are with me and things feel a little bit better. 

I was on my mind last night. Stuck. Anxious. I should enjoy the moment. There goes time. My brain works and works and it doesn't stop. Sometimes I can't stand still. It's tiresome. But I persist. You let me talk it through. You let me breath. You let me remedy it. You come with. I'm carrying my load, but so many others. 

I like your lips and how full they are. How you smile with the dimples but also with your lips. Your face changes. You look beautiful. You always do. I like how you take me and feel me as I too smile. I look beautiful. I always do. 

What made me resuscitate two Falls ago is what connects us. The stage. The art of make believe. Of stories. Of points of view. See, I have many. One is that when we are together life is a little less heavy. We have this little dance and I feel the lights coming on. You always give your maximum. I like it. I try to mimic it. I'm giving you all I can give for now. I hope it is enough. 

I haven't been writing much. Where are my muses, I wonder. Should I seek them for the sake of it? Should I live heartbreak yet again to feed this voice inside of me? It seems unpleasant, unfortunate that this voice can't be silenced. Yet it is her who makes me my whole me. No more denials, never again, I said. Feel it. The good and the bad.

Yet us. Our bodies enlaced breathing together as if walls to our own little world. That beat between you and me, those sweet kisses, and all denials are yeses and that voice quiets. I'm feeling it. You can't be a muse, so maybe I should be yours. And the voice shall quiet bending to my ownself as you feel me. Princess, I said. I'll play pretend as long as it turns you on. As long as I make you smile, I'll be me. But just because you make me feel so good. 


sexta-feira, 18 de abril de 2025

novela de uma quinta a noite

 Como uma aranha imersa em uma teia de amores e promessas você se enrola. Vejo nos seus olhos a tristeza. Está escuro e todas dançam, mas seu corpo carrega um peso de incerteza e indecisão, insegurança e dor. Ofereci tudo, você não quis. Você não soube me amar. Ela te ofereceu tudo, você também não quis. Agora você sem saber o que busca encontra apenas o caos.  Quem você agora quer não é só um novo brinquedo. Mesmo que você diga não se envolver, sente ciúmes. Dela, da outra. De mim? Não sei, e pouco importa. Eu rio. Não estou feliz pela sua tristeza, mas confesso que toda essa trama é realmente curiosa. Complexa, porém simples. Outra, você, ela, eu, tantas mais. Muito amor e pouquíssimo amor. Como um pêndulo você nos afaga e nos larga. Digo para mim mesma que não faz sentido você mal falar comigo. E então percebo que você se afundou nessa trama e não é sobre mim. Não é sobre nós. Você se trata mal, não se permite sentir por inteiro. Em meio a tanta gente, por que não dançar conosco? Em meio a mulheres perdidas, chatas, outras, por que não escolher nós duas? Acho que você precisa provar pra si mesma que não é amável. Que não é digna de nós duas. Viés de confirmação. Na multidão eu vejo seus olhos cansados. Foi você quem criou essa teia. Foi você quem desejou os fins que não encerram. Foi você que não soube ter paz. O drama não é meu, nunca foi. Segue em frente. Eu não vou olhar pra trás. Se um dia você desfizer a teia, não sei se estaremos mais aqui. Cuide. Eu penso no papel. Ao menos ela pode ser livre de te ver se enforcar na própria teia. Eu assisto e permaneço. 

segunda-feira, 7 de abril de 2025

2+2

 Some days I wake up 

And I dream of our future.

I dream of our home,

Not quite my style outside

Very much mine inside.

I dream of our boy,

Our first born,

the little you.

I dream of him playing in the yard,

Throwing you a ball,

That you don't really know how to catch.

You want him to take up basketball, football.

Or at least hockey.

But his mind is stubborn, like yours,

And all he can see is baseball.

I dream of the honey colored curls 

Of our second born.

Our little me.

She's bright but because you are her mom

She's not afraid to show it,

She's not afraid to try.

I dream of us four, singing terribly in a car

Driving to the cottage.

Taking a plane, visiting home.

You work so much and I do dream 

Of how i will complain one day.

But I dream of me, too.

With my big office and my big name,

On the door, the screen or the stage

Leaving work because I need to cook.

I dream of dinner at home,

Even when you are mad at me.

I dream of us. Of me.

I dream and I fall asleep.

sexta-feira, 4 de abril de 2025

aninha

Como posso ser adulto

E com uma palavra 

Vem a criança.

Como posso ser adulto

E com o medo de te ver ir

Vem a criança.

Como posso ser adulto

Se não fui direito criança?

Senta reto, se comporta, 

Mocinha

Mondronga.

Como posso ser adulto 

Se criança já adulto fui?

Como posso ser adulto

Funcionar, andar, não doer

Se nos meus sonhos 

De raiva me debato, com ciumes choro,

Contra meu pai grito?

Como posso ser adulto

Se cada passo que dou a sombra de uma dor

Tem o meu tamanho infantil?

Como posso ser adulto

Se adiante ando e a cada adeus

Volto.

Como posso ser adulto

Se a infância é o chão que a gente pisa a vida toda

e o meu chão está partido. 

quinta-feira, 3 de abril de 2025

6 novembro 2024

 Minha solidão é uma pedra que teimosa recusa a se mover. Minha solidão é uma onça que na noite abocanha minha pequena vida. Minha solidão é uma plateia de desconhecidos me aplaudindo. Elogios de quem não me conhece. Vazio.

Minha solidão dói feito domingo a noite. Dói quando eu te vejo e imagino nunca ser sua. Dói quando vejo outras e sei que ali também não há lugar pra mim. Minha solidão dói feito quarta-feira de cinzas, com você um Carnaval.

Hoje me deixei quebrar, partir. Você brincando com ela. Sem cuidado. Se foi e o que era nosso ficou pra outra cuidar. Minha solidão é não ser ouvida. É assinar um papel como se uma lista de presença fosse. Nunca nem essas assinei sem lá estar. 

Minha solidão é egoísmo. Meu egoísmo é meu colete salva vidas. Me prometi que não morreria de novo, e cada vez que te sinto, morro um pouco. Você sequer tem coragem de me dizer a verdade. Não há meio amor. Minha solidão é contra meios amores. Minha solidão é escudo. 

quarta-feira, 2 de abril de 2025

caminhando

 Amo como quem anda por aí a toa, vivo como quem caminha sem destino. Andei reparando que sempre achei que morreria cedo, mas não morri. Preciso fazer planos, é preciso por ordem. Meu mundo é um tanto bagunçado. De tal maneira que funciona. Claro, alguns atrasos e sustos aqui e ali são inevitáveis. O relógio nunca foi meu amigo, prazos sempre me irritaram. Mas a verdade é que sem eles não faço. Ando meio cambaleando, vou achando meu equilíbrio dia sim dia não. Estou com ela e não estou. Estou aqui e não estou. Dou, não dou. O caminhar dos dias parece uma estrada difícil de andar algumas tardes. As vezes parece que voo numa noite estrelada. Descanso, movimento, vínculos, palco. Tem receita e não tem. Por que quando estou do outro lado é porque falhei em tomar pelo menos um dos remédios, ou nem foi suficiente. Não é sempre possível escolher. Ando por aqui como quem vive, de volta a vida que não tive. Escrevo mais do que nunca, leio menos do que lia. Escuto música 12 horas por dia. Preenche o vazio. Anima o espírito. Tento tatear no escuro mas é vão por que o universo faz o que quer. Tem, não tem. Pra onde eu vou nem sei. Mas vou dar o passo. Ando em frente com vontade com força. Parei de me machucar a toa. Larguei de querer que ela me escolha. Encerrei o sofrimento. As vezes dói, mas o que dói já não é mais ela. Tenho força pra levantar. Resiliência, dizem, mas pra mim é só sobre me acostumar. Ando com meus pensamentos e meus amores, ando cheia de mim, ando feliz.