terça-feira, 30 de dezembro de 2014
placebo
Entrou no ar e foi. Aos poucos ia se afastando, e já não teve mais volta. Do alto viu o chão e quis fugir dele, quis voar. Voou e deixou tudo que era real. Foi em direção ao por do sol, em direção ao mar, às ilhas do outro lado do mundo. Não pode pensar duas vezes, só pulando de uma vez que se pode ir tão longe. Voando sentiu. Sentiu em cada pedaço de si o que a tanto ansiava sentir. Sentiu medo. E por sentir medo teve coragem de continuar. A cada segundo que passava um a menos seria necessário para transformar o medo em prazer. Prazer por saborear um gosto diferente, ainda que por um desejo velho, por estar longe, por ser Novo. Voando foi, sem saber se poderia voltar. Voando, feliz. Quando pisou na terra, o chão já era outro. Era um chão quente na pele, que dava vontade de sentir logo mais calor. Os rostos, os sons, a vista, tudo estranho, tudo novo, tudo bom. Em frente seguiu e bateu na porta. Sentiu tudo que há pra sentir na pele, gostou. E por gostar pediu proteção mais uma vez, sete anos depois, proteção contra o que queria.
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