O tempo passou de uma forma que o cigarro e café passaram também. O que eu achava ser seu, hoje é meu. É meu na beira do lago, debaixo da neve caindo. É meu com ela, mas também é meu sozinho. É meu e eu já nem lembro quem é você. Também, são tantos vocês. Tantos com seus cigarros e cafés. No calor de 40 graus, no marasmo do Equador, num café de Paris. E eu aqui, década depois. Parece que vivi dormindo por todos esses anos. Acordei. Não sei se foi o cigarro. Se foi o palco. Se foi ela. Se fui eu. Sei que despertei e o espelho finalmente desembaçou. Reconheço. Não digo que sou a mesma. Afinal antes de dormir o cigarro não estava na minha mão. Agora está. Me tornei para quem eu escrevia. Claro, com um pouco mais de prudência. E é essa prudência que me lembra de ter cuidado para não virar você. Com 50, afogado no passado numa sala de aula, em busca de qualquer feixe de luz que pudesse te queimar. Não, não vai ser assim. Não posso deixar que seja. Penso então que talvez mais que um cigarro e um café preciso permanecer aberto. Aberta pra elas, pra mim, pro mundo. Aberta pra vida. Enquanto me abro, levo comigo um café e um cigarro.
quinta-feira, 28 de março de 2024
quarta-feira, 27 de março de 2024
Cajun fries at Popeyes
A vida tem dessas que matam e fazem viver. Dessas que acordamos e só queremos estar junto, mas dormimos sós. Desses mistérios de coisas fora do lugar que encaixam de maneira perfeita. A gente se encontra num passado que não existiu. E no futuro, quem sabe. Hoje você não me encontra onde estou. Não entende minha língua. Mas a vida tem dessas que me fazem te querer. Dessas em que eu te assisto como quem vê o que há de mais interessante nesse universo. Dessas que acabam com a secura do inverno. Dessas que me deixam fora de mim. Dessas. Mas também dessas que me partem o coração quando você chora. Te entendo. Aprendo. A vida tem dessas que me mostram você, tão nova, tão eu e tão você. Tanto mundo na tua frente. Mesmo se você me quisesse, eu nunca te prenderia. A vida tem dessas que me fazem feliz em te venerar. E te olho de lado, cada poro, cada fio, cada sorriso. As vezes eu me pergunto o que é que estou fazendo. O que quero com isso. Nada. Te querer de longe também me faz viver. A vida é dessas que dá vida de uns jeitos assim, estranhos.