Eu não sou mais. Epifania.Não sei o que deixei de ser, nem sei o que era antes. Meu braço está arranhado, me machuquei. E dessa vez sou uma mulher. Finalmente o sou.Onde estou, o que será que fiz? Fantasmas ao meu redor, medo do que passou. Angústia. Não choro, não sou do tipo que chora.Como uma nuvem que paira, não descarrego.Meu cabelo não está arrumado, não ligo. O vento que à noite me assusta, agora vem pra me dizer que não estou sozinha. Sinceramente, não sei do que estou falando. A sala está vazia. Olho pra frente, não há. Cadeiras vazias, todos foram embora. Estou te esperando, estou me esperando voltar.Essas paredes guardam minhas palavras, aquelas que jamais foram ditas. Guardam beijos que dei, abraços que distribuí, tantas lágrimas que prendi.Um pedaço de mim fica, maior do que o que daqui levo.Coração vomitado, tudo proibido, tirado. São tantos os vocês, tantos sim, duros não.Para ser coerente utilizo a incoerência, a falta de uma idéia central.Tão difícil escrever, quem lê não sabe qual o contexto do que te rege. Dói. Estar sentada aqui dói. Não poder voltar no tempo e fazer o que eu realmente deveria ter feito, dói.Te deixei ir, fui.
Um menino veio me perguntar se eu estava bem. Estou. Desculpe a intromissão, esse livro, já leu O mundo de Sofia? Já. Desculpe a intromissão, vou indo. Tudo bem.
Tudo bem, chega disso tudo. O que me foi sugado agora me é devolvido e a cor volta à minha face.Não sou mais. E, por isso, agora volto a ser. Alívio.