sábado, 27 de dezembro de 2025

sem estrutura

 Como pode ter gente

Que vive sem mar.

Vive sem ver o tudo,

Sem ver o mundo 

Só até o fim do olhar.

Como pode viver sem sentir 

Não sei,

Vivi. 

Ver bastava, me dilacerava.

Como pode tanto querer 

E pouco dar. 

Fugi do mar, me fui a nadar

Muito perdi,

Agora posso boiar. 

Ganho também as ondas 

Que vez em quando mudam

Molham e me fazem chorar.

Como posso finalmente viver

Só pela curiosidade 

De ver além-mar.

Água salgada que desce a bochecha,

Que me faz respirar.

Mereço meu choro.

Mereço meu sopro

Porque me amo

Tanto quanto há mar.