Como pode ter gente
Que vive sem mar.
Vive sem ver o tudo,
Sem ver o mundo
Só até o fim do olhar.
Como pode viver sem sentir
Não sei,
Vivi.
Ver bastava, me dilacerava.
Como pode tanto querer
E pouco dar.
Fugi do mar, me fui a nadar
Muito perdi,
Agora posso boiar.
Ganho também as ondas
Que vez em quando mudam
Molham e me fazem chorar.
Como posso finalmente viver
Só pela curiosidade
De ver além-mar.
Água salgada que desce a bochecha,
Que me faz respirar.
Mereço meu choro.
Mereço meu sopro
Porque me amo
Tanto quanto há mar.
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