Queria escrever sobre mim. Queria ser a narradora dos meus textos, o eu-lírico de cada palavra, mas não sei fazer isso. Talvez eu seja simples demais e não tenha nada a dizer. A verdade é que sou tantas que não consigo escolher qual ser. Tento agora, inutilmente, falar de mim.
Sabe, ela é meio louca. Vive falando sozinha, é exagerada, não entendo.
Ela é a mulher de um traficante, não, uma missionária evangélica. Pensando bem, acho que é uma garotinha inocente, ou seria uma cartomante?
Tentou ser tudo o que quiseram que ela fosse, fez caras e bocas, se pintou e saiu pro mundo.Ela é do mundo, e ele é dela. Cada canto esconde um sorriso e uma lágrima que ela riu.Todas as lembranças, todas as memórias, nada é mais real, ela vive delas. As paixões que teve, os amigos que pouco conheceu, foi tudo tão efêmero e pouco ficou. O amor que sentiu e os amigos que abraçou, guardou-os todos e com eles vive.
Ela não é muito normal, mas qual a graça de sê-lo?
Diria o Chico que Ela nunca será de ninguém porém eu não sei viver sem, e fim.