sábado, 25 de maio de 2024
Innerbloom.
Vi você de perto e parece que foi tudo novo. Não digo que te desaprendi. Você me ensinou com tamanha disciplina que não esqueço. Mas te ver de perto sempre traz um arrepio diferente. Sinto o calor daquele forno e o silêncio daquela cozinha como se não estivesse no ar condicionado de um metrô sujo e barulhento. Eu te sigo mas eu já sei o caminho. I go all the way up just to go down on her, lembra? Quando a porta fecha a gente até tenta enrolar, encher o ar com palavra como se ele não já estivesse lotado de desejo. A lua. E então eu te beijo. Sua boca feita pra falar francês. Não entendo bem o mecanismo que faz seus lábios serem sempre tão doces, tão úmidos, tão perfeitos. Não entendo bem por que encostar minha boca na tua me deixa assim. Mas não sou louca de ir contra, só fico louca quando você me joga no sofá. Quando vem no pé do meu ouvido e me dá um nome. E de repente essa música que pouco sentido faz me embala de um jeito que eu deságuo. Fácil, fácil demais. Penso quando é que vou te dar mais trabalho. Você não me dá trabalho, me dá lição. O jeito que você me guia me irrita, mas hoje eu já sei te pedir pra calar. Sei te mostrar ainda mais a mim mesma. Sei te dizer o que quero. Ainda assim, fico sentada na carteira da sala de aula comportada por que você sabe que eu quero tirar dez. Prendo o cabelo em um rabo de cavalo. Escuto as únicas lições que realmente me interessam nesse mundo. Eu que sempre gostei de desafiar professores, agora preciso ser sua teacher's pet. Pet. Te falei que é isso que você fez comigo, e como uma, é minha vez de me ajoelhar. Você falou pra eu escrever menos sentimento. Pois aqui está. Você dentro de mim e meu joelho dobra. Você perguntando o que eu quero e eu com todas as letras. Você atrás de mim e minhas pernas fracas. Você de costas e eu te hidratando até os seus pés. Meu cabelo preso e eu te dando ordem como se eu pudesse mandar em alguma coisa. De novo a gente entrelaçada e o mar todinho nessa cama. Fico te olhando e, como um navio nesse mar, navego até sozinha pra você ver. E quando a gente para e respira, é rarefeito. Um suspiro, dois. Seus cachos entre os meus dedos e seus olhos brilhando. Quero ficar. You're my piece of paradise, diz uma daquelas da nossa playlist. Uma semana e eu fico.
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