Nunca fiquei tanto tempo com meus pensamentos. Vejo-os entao, finalmente, como realmente sao. Inquieto, ansioso, indeciso, afobado, desastrado. Tantas novas definicoes pro que eu achava já estar definido. O que eu sonhei aconteceu, mas acontecer nao é tao bom quanto sonhar. O que nem imginava virou sonho de tao bom que foi realizar. Cá estou eu, com medo de onde já cheguei, querendo saber se há mais, insatisfeito com uns, superado por outros. Esperava muito, mas nao tanto quanto é de verdade. Será que me iludo? Talvez esteja cego, talvez queira acreditar que é mais do que é pra nao desistir. Mas, se nao fosse tao bom, nao teria esse gosto de realizacao. Quando eu chegar lá. Quando chegar. Já nao vou mais querer lá estar. Fecho os olhos e peco pra voltar, fecho os olhos e agradeco por estar. Sim, saudade, mas felicidade também. Achei um bom amor, um bom amante. Nem procurava, mas achei. Nao há nada mais que eu possa querer. Venho caminhando devagar, vendo a rua que passa, lembrando de quando aquela rua nao me pertecia. Já nao sei se agora pertence. O que mais eu quero? Eu andando e me dizendo que aqui estou, nao era isso que eu queria? No final o por que de eu ter vindo nao é mais o que eu achava que seria, mais vim por ele do que pelo novo. Ele. Há uns meses eu nem sabia que assim seria, mas foi. E nessa de ser sem eu ter esperado sou surpreendido por mais uma placa que me manda parar de imaginar. Andei com meus pensamentos, nao com a minha imaginacao. Andei pensando. Nao imaginei andando. Uma vitória para mim, reconhecer que nao devo mais imaginar. Ele nao foi imaginado, aliás, o fracasso foi. Imaginei que nao daria certo. Deu. E o que imaginei ser perfeito nao foi. O que me abstive de imaginar foi bastante empolgante. Que maravilha, quem sabe um dia eu consiga dar adeus a toda essa imaginacao pedante. Estou chegando na casa, nao em casa. Em casa por enquanto nao chegarei. Minha casa é um alguém.
Abrem a porta e nao vejo quem esperava ver, tenho que me acostumar com isso. Espero o dia em que eu abra a porta, ou o que eu volte a ver quem faz da casa, lar.
quinta-feira, 19 de março de 2009
segunda-feira, 2 de março de 2009
Ensaio Sobre Um Eu.
Sou eu por que sou dois. Sou, o que fui serei, não quero ser quem já fui. Por ser dois quem sou me é elegível, torna-se mutável. Dentro de um não mudo, minhas mudanças são de lado. Quando atravesso, não sei quem sou e, portanto prefiro pular. De um lado, para outro lado. Nem todos me esperam dos dois lados, alguns nem sabem que dois lados têm. Gosto dos que não deixam um lado pesar mais. Gosto dos que sabem o que sou. Gosto de fingir que sou um, de mostrar que sou mais. Gosto, não gosto, me calo, odeio. Não sei se te quero ou se te amo, amo quem me ama lá e cá, você ama? Não ame por querer unir, mas por saber amar. Amo-te. Quando o amor é assim somam-se dois e dois, acham-se três. Três por que cada um é o que é, sem abrir mão do que não é. Têm-se todos os lados, somados, plenos. Se se somam quatro, não é amor. Soma-se um, é dependência, faz mal. Pergunte qual é a minha verdade, não sei que horas são, respondo uma, depois outra. Na metade troquei, no final recomecei. Até mesmo minha memória não mistura, memória de elefante, péssima memória. O que fiz ontem posso não ter feito e nem querer fazer o que farei amanhã. Fusão confusa. Funciona, às vezes não. Se se misturam geram desespero, angustia, arrependimento de um, orgulho do outro. Apenas escolho. Sou, não sou. Quem sou?
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