terça-feira, 25 de novembro de 2008
Tantos títulos.
Uma estante na minha frente. Não, várias estantes, prateleiras, capas. Tanta coisa já foi escrita, jamais lerei metade. Imagino quanta criatividade há, quanto mais ainda pode ser escrito. Será que o que agora escrevo não já foi dito antes? Talvez sim, espero que não.Sempre que entro em uma livraria meus olhos querem chorar. Fico horrorizada com a minha incapacidade de ler, com a minha pouca habilidade de devorar tudo aquilo. Sou uma inútil, penso. Nem mesmo li uma livraria inteira e já me aventuro em decifrar o mundo. Presunção. Hoje pensei se algum dia seria lida, se aquele título estampado já foi um dia imaginação. Engraçado quando alguem próximo a você é publicado. Espero que o leiam, penso. Penso tanto, por isso não escrevo. Se cada pensamento meu se transformasse num texto, reescreveria aquela livraria inteira. Dá um medo pensar nisso tudo. Chega. Olho pra prateleira a minha frente, tantos nomes, tantas cores. Cada livro traz um assunto, ou falam todos da mesma coisa?Nossas vidas expostas ali, jogadas, cuspidas por um alguem que se achou no direito de fazê-lo, só por que era criativo. Grande coisa, criatividade. "Na natureza nada se cria, tudo se copia." O que seria um livro se não uma cópia do que já foi pensado? Acho que estou perdendo a cabeça, o João Ubaldo Ribeiro continua olhando pra mim e eu aqui, devaneando. Tantas palavras em vão, algumas se preocupam em revelar a vida hollywoodiana, outras, o mais intrínseco desejo de poder, de sedução. Quantas palavras em vão, quanta bobagem. E eu aqui, devaneando. Olho para os lados, olhares curiosos, confiantes. Há aqueles que preferem achar que já leram muito, se sentem menos incompletos. Mas é falsidade, prefiro viver no vazio da realidade. Eu gosto de passar meus dedos entre as páginas dos livros, sinto um prazer enorme. Parece que estou podendo degustar um pouco daquilo que jamais terei, é mais um joguinho. Sinto as capas, grandes, pequenas, coloridas, sem graça. A capa muitas vezes é o que me atrai, claro, é assim o ser humano. Por que será que toda livraria blockbuster tem hoje um café? Os cultos seres que as habitam precisam mostrar aos outros quem são, o que fazem. De nada adiantaria ser culto pra si mesmo, eles gostam de exibir seu poderio intelectual. Café e livros, uma boa dupla, na maioria das vezes, surreal. Quem mais toma café não são os nobres leitores de Nietzsche, são os trabalhadores da construção ao lado, que jamais ouvirão falar em psicanálise (tão mesquinha), quem dirá em Nietzsche. Enfim, estão me chamando, não levei nenhum livro. Levei apenas uma lembrança dessa prateleira, já sei o que vou pedir de natal. Livros, um dia ainda escreverei o meu. Serei então devorada por olhos ávidos por vida, em estantes alheias a mim.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Sem Assunto.
Eu não sou mais. Epifania.Não sei o que deixei de ser, nem sei o que era antes. Meu braço está arranhado, me machuquei. E dessa vez sou uma mulher. Finalmente o sou.Onde estou, o que será que fiz? Fantasmas ao meu redor, medo do que passou. Angústia. Não choro, não sou do tipo que chora.Como uma nuvem que paira, não descarrego.Meu cabelo não está arrumado, não ligo. O vento que à noite me assusta, agora vem pra me dizer que não estou sozinha. Sinceramente, não sei do que estou falando. A sala está vazia. Olho pra frente, não há. Cadeiras vazias, todos foram embora. Estou te esperando, estou me esperando voltar.Essas paredes guardam minhas palavras, aquelas que jamais foram ditas. Guardam beijos que dei, abraços que distribuí, tantas lágrimas que prendi.Um pedaço de mim fica, maior do que o que daqui levo.Coração vomitado, tudo proibido, tirado. São tantos os vocês, tantos sim, duros não.Para ser coerente utilizo a incoerência, a falta de uma idéia central.Tão difícil escrever, quem lê não sabe qual o contexto do que te rege. Dói. Estar sentada aqui dói. Não poder voltar no tempo e fazer o que eu realmente deveria ter feito, dói.Te deixei ir, fui.
Um menino veio me perguntar se eu estava bem. Estou. Desculpe a intromissão, esse livro, já leu O mundo de Sofia? Já. Desculpe a intromissão, vou indo. Tudo bem.
Tudo bem, chega disso tudo. O que me foi sugado agora me é devolvido e a cor volta à minha face.Não sou mais. E, por isso, agora volto a ser. Alívio.
Um menino veio me perguntar se eu estava bem. Estou. Desculpe a intromissão, esse livro, já leu O mundo de Sofia? Já. Desculpe a intromissão, vou indo. Tudo bem.
Tudo bem, chega disso tudo. O que me foi sugado agora me é devolvido e a cor volta à minha face.Não sou mais. E, por isso, agora volto a ser. Alívio.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Texto Pílula, ou, F.
Sentado na varanda olhando o mundo girar. Somo tão inúteis. A vida é tão injusta, me foi dito. Não, ela não é. Eu que não quero me levantar daqui e me permitir a justiça. Estou apenas, vendo você ir embora. Se o que derramo são lágrimas, não sei por que choro. Você era tão linda, tão ausente. Lembro-me de quando te vi chegar, tão incerta em seus passos, tão contraditórios seus sorrisos. Mais uma que sabe bem o que quer, só não sabe por que. Foi embora. E voltou. E foi embora. Voltou. Foi... Espera, pára. E eu? Continuo. Cansei de dar adeus, mas ainda a beijo quando a vejo dá-lo. Outro dia a vi com outro. Pensei: bobo, mais um joguinho. Droga, acabou a rodada. Pra posição da qual saí, eu retorno. Ela já ganhou há tempos, não sei porque continua jogando. Dos meus devaneios me despeço e pego meu violão.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Metaphysical Nausea.
E sentir o peso em meus ombros. Sentir que deve-se saber falhar, que deve-se aprender a perder. Nem tudo está sob o seu controle e, cada vez mais, o mundo não fará sua vontade.Vejo que não sou mais do que apenas sou, que nem tudo é tão verdade, que a dor é pequena. Sabe, lembro-me de quando era pequeno e todos se derretiam quando me viam sorrir, meu sorriso era minha barganha. Não que o tenha perdido, jamais, mas ele já não exerce efeito nenhum. Sou apenas mais um bobo sorrindo em meio a multidões e que, sem enxergar a dor do outro, sorri dizendo que sabe superar a sua. Aliás, lembrando-me da minha não tão distante infância, percebo o quanto perdi. Deixei de lado aquela constante felicidade (sabendo que dizer isso é redundante, se é feliz...) e vivo apenas momentaneamente alegre. A felicidade vem em ondas, uma vez me disseram, mas a tristeza é que é ondulatória, vem derrubar a alegria e quando consegue, é difícil ressuscitá-la.Sei que escrevo com ar de quem tem uma vida horrível, sei também que não passo de um presunçoso.Minha vida é fácil. Rio. Tão poucos obstáculos, tão pouca necessidade. Mas, vazio, um vazio.E esse eu não consigo preencher, nem mesmo destampar para então procurar o que deve ser posto ali.São tantas as procuras, tão efêmeros são os encontros. A vida segue, assim, incompleta, mas feliz, simplesmente por que não tenho do que me queixar.A alegria me toma, constantemente,e logo se desfaz em uma busca desenfreada e cada vez maior. Desenfreado.Não não tenho freios, apenas não consigo ou gosto de usá-los.
Será que tenho algo para barganhar?Troco favores e não mais sorrisos, troco olhares e não consigo.Não, não, mentira, eu nem sempre consigo o que quero. O que quero é acreditar que sempre consigo o que quero, mas não tem jeito. Eu não consigo.Há tanto que queria poder acreditar... Sempre há, óbvio, mas em mim há mais daquilo que quero acreditar do que eu realmente acredito. No que acredito? Sei, não sei.
Faz tempo que não escrevo. Não esperava escrever algo bom ao voltar. Queria ter tempo pra escrever, e escrever, deixar meus dedos soletrarem minha imaginação.
Vejam como sou louco, até saudade do que nem escrevo eu sinto. E sinto muito.
Será que tenho algo para barganhar?Troco favores e não mais sorrisos, troco olhares e não consigo.Não, não, mentira, eu nem sempre consigo o que quero. O que quero é acreditar que sempre consigo o que quero, mas não tem jeito. Eu não consigo.Há tanto que queria poder acreditar... Sempre há, óbvio, mas em mim há mais daquilo que quero acreditar do que eu realmente acredito. No que acredito? Sei, não sei.
Faz tempo que não escrevo. Não esperava escrever algo bom ao voltar. Queria ter tempo pra escrever, e escrever, deixar meus dedos soletrarem minha imaginação.
Vejam como sou louco, até saudade do que nem escrevo eu sinto. E sinto muito.
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