Suspiro de saudade e um calafrio. Olha, lá vem o Novo. Seja bem-vindo, eu já gostei de voce antes de te conhecer. Confesso que agora que voce está se aproximando meu coracão vai acelerando. Meus olhos estao um pouco úmidos, mas não vou chorar. Oh, não é medo, de maneira nenhuma. É pavor. Não de voce, querida Novidade, mas da forca que voce pode ter, do ciúme que tem. Eu sei, não precisa mentir, nenhum Novo gosta do Velho. Todos voces, adjetivos, são ciumentos, e não pouco. Ameacadoramente ciumentos. O Velho vai me atormentar todos os dias, vai me encher de perguntas, enquanto voce, Novo, vai me puxar pelo braco e me encher de risadas até eu parar de responder ao Velho. Vai ser assim até voces acharem um meio termo, um vai aceitar ser meu amigo, o outro minha paixão. Ou até um dos dois me convencer de que é melhor do que o outro, e me fazer escolher. Novo, Velho, por favor, convivam! Enquanto voces ainda não se encontram eu me contento com o Transicão, tão mais calmo, diria até entediante. Transicão, um affair, nada sério. Um passatempo, Transicão, sinto muito mas voce não desperta em mim nenhum sentimento se não aquele que me faz lembrar o Velho ou pensar no Novo. Maldita Transicão, nem sei por que dizem que voce é tão necessário e que vale a pena te dar uma chance. Eu preferia ter ido de um amor ao outro, não me agrada o que voce me traz. Ah, Tempo, o Deus do Novo e do Velho, e até da Transicão, escuta minhas preces e desliza enquanto o Novo não se declara. Tempo, por que passaste assim, quando o Velho ainda era meu amor? Sabe, não sou do tipo que gosta de um amor rotineiro, e o Velho já não cabia mais. Não nego, seria feliz com o Velho eternamente, ele me conhece, sabe do que gosto, mas quando eu já fosse também parte do Velho, veria que deveria ter me aventurado quando o Novo piscou para mim. Já vi tanta gente que carrega o Velho em suas costas, que diz que é feliz, mas que não poe o pé fora da calcada, muito menos a vida fora do eixo. Agora, é tão fácil reconhecer quem acabou de conhecer o Novo. Eles tem um olhar diferente, meio assustado, meio desafiador, e tão brilhante. O Novo me dá brilho nos olhos.
Olho pro espelho, o Velho logo atrás de mim, triste. Mas em meus olhos já vejo o Novo, e vem o calafrio, uma epifania que pensar no Novo me traz. Vem então a saudade, melhor e pior sentimento que o Velho me deixa. Suspiro, pelo que vem, pelo que foi. Saudade, calafrio.