Encontros são milagres. Em cada vida que vivemos experimentamos cruzamentos que mudam nossa trajetoria irreversivelmente. Há poucos anos cruzei com Maria, que me levou a cruzar com Be, que me levou a cruzar comigo mesma.
Gosto de pensar que aqueles que me encontram ficam com boas novas. Com bons sentimentos, boas sensações. Nem sempre consigo. Ano passado cruzei com uma cacheada que não deve ter coisas boas de mim. Principalmente por que a vida de repente me levou a cruzar com Anny, que era sua. Diferente dos cachos com Anny, eu escolhi deixar coisa boa na mão de Be. Queria que Anny tivesse me encontrado naquele dia. Quem sabe então a coisa boa com ela estaria.
Meu encontro com Be me mudou. Se Maria me acordou e me pôs a sentir e sonhar, Be me fez olhar pra mim mesma com os olhos dela. Não os olhos com óculos escuros que me pintavam feia, má, cruel, desleal. Os olhos nus de Be, seus olhos reais, que me enxergavam. Pena Be não soube que estava claro demais para usar óculos escuros. Eu sei, contradição. Mas é que olhar direto para o sol queima, com ou sem óculos. Sempre fui sol. Cega pela luz do sol, ela viu o que ali não estava, e então interferiu nos meus encontros.
O universo não gosta de quem busca controlar encontros. Não gosta de ser desafiado em sua capacidade de fazer conhecer. E então uma bela hora ele joga tudo pro alto, retira os bloqueios, limpa os caminhos. E assim acabou Be sozinha, e o encontro que ela tanto temia foi bem mais milagre do que se não tivesse sido proibido.
A menina da casa precisava me encontrar. Eu precisava da menina da casa. Nosso encontro em comum com Be era bem mais em comum do que qualquer ser humano gostaria que fosse. A menina da casa então ficou. Abriu os braços e as portas e eu fui. E de repente me vejo rindo e sorrindo pra além dos limites de quem se achou grande demais e pensou poder controlar o destino. A menina da casa é troca e cuidado, então respiro uma nova amizade.
Não desejo a Be a solidão. Desejo encontros como o nosso, que transformam a vida. Mas que no próximo Be não brinque com o caminho. Não destrate quem não anda sozinha. Não olhe pro sol achando que vai apenas se alimentar de seu calor e energia sem se cegar. Que caminhe, Be, pela encruzilhada do destino.
Eu sigo. Permaneço. Re-encontro Peixe, converso horas com Obra de Arte. Divido os dias com Maria, sou amada por Laís. Me permito ainda mais conhecer em um novo corredor, dentro de um elevador. Falo na rua, descubro semelhanças, exploro conexões. Construo pontes e desato nós.
Pouco importa o que fazem comigo, importa que eu siga maleável no destino e inabalável na fé. Fé de que a vida é feita de encontros e que cada um deles serve um porquê. Fé de que deixar o bem na vida de quem passso é deixar o bem pro universo. Fé nos meus passos e no meu Eu. Fé na magia. Fé no que me atravessa. Fé nas encruzilhadas da vida.