sábado, 10 de maio de 2025

Orelha/Menina-Moleca

Meu tio Flávio era um sujeito

engraçado.

Bebia, fumava, fodia.

Ria. 

Depois de tanto morrer

vivia.

Meu pai e Flávio eram irmãos 

da rua.

Ana Nery, no Rocha, no Rio,

subúrbio, asfalto.

Riram, viram, muito amaram

afastaram.

Dei sorte da meia idade bater 

na porta.

Como se sobrinha fosse tio

me adotou.

Tio Flávio, Orelha, pra mim barba.

Calvo, moleque.

Brinco do Mickey, macacão jeans

cigarro, sorriso.

Deu o fim da festa cansou, saiu

à francesa.

Sempre gostou de uma, jabuticabeira.

Acho que Tio Flávio te mandou

pra mim. 

A alegria moleca da Ana Nery

em Toronto.