Meu tio Flávio era um sujeito
engraçado.
Bebia, fumava, fodia.
Ria.
Depois de tanto morrer
vivia.
Meu pai e Flávio eram irmãos
da rua.
Ana Nery, no Rocha, no Rio,
subúrbio, asfalto.
Riram, viram, muito amaram
afastaram.
Dei sorte da meia idade bater
na porta.
Como se sobrinha fosse tio
me adotou.
Tio Flávio, Orelha, pra mim barba.
Calvo, moleque.
Brinco do Mickey, macacão jeans
cigarro, sorriso.
Deu o fim da festa cansou, saiu
à francesa.
Sempre gostou de uma, jabuticabeira.
Acho que Tio Flávio te mandou
pra mim.
A alegria moleca da Ana Nery
em Toronto.