quarta-feira, 2 de abril de 2025

caminhando

 Amo como quem anda por aí a toa, vivo como quem caminha sem destino. Andei reparando que sempre achei que morreria cedo, mas não morri. Preciso fazer planos, é preciso por ordem. Meu mundo é um tanto bagunçado. De tal maneira que funciona. Claro, alguns atrasos e sustos aqui e ali são inevitáveis. O relógio nunca foi meu amigo, prazos sempre me irritaram. Mas a verdade é que sem eles não faço. Ando meio cambaleando, vou achando meu equilíbrio dia sim dia não. Estou com ela e não estou. Estou aqui e não estou. Dou, não dou. O caminhar dos dias parece uma estrada difícil de andar algumas tardes. As vezes parece que voo numa noite estrelada. Descanso, movimento, vínculos, palco. Tem receita e não tem. Por que quando estou do outro lado é porque falhei em tomar pelo menos um dos remédios, ou nem foi suficiente. Não é sempre possível escolher. Ando por aqui como quem vive, de volta a vida que não tive. Escrevo mais do que nunca, leio menos do que lia. Escuto música 12 horas por dia. Preenche o vazio. Anima o espírito. Tento tatear no escuro mas é vão por que o universo faz o que quer. Tem, não tem. Pra onde eu vou nem sei. Mas vou dar o passo. Ando em frente com vontade com força. Parei de me machucar a toa. Larguei de querer que ela me escolha. Encerrei o sofrimento. As vezes dói, mas o que dói já não é mais ela. Tenho força pra levantar. Resiliência, dizem, mas pra mim é só sobre me acostumar. Ando com meus pensamentos e meus amores, ando cheia de mim, ando feliz.