segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Assim Morreu Uma Teia.
Perdi mais um encontro. Mais uma noite na qual não estive lá e mais um pouco estiquei. Lá já não faz sentido. Perdi o que era de tanto que quis o que chegou, sofri por perder, mas foi tão lento que pouco percebi que sofria por estar perdendo. Foi por desleixo, morreu. E como tudo o mais que morre por aí, morreu. Afinal sempre dizem que tudo tem um fim, pois não esperava que o fim se desse tão rápido. É claro que não foi só morte matada, hei de me consolar por saber que foi um tanto morrida. Morreu porque não se cuidou, teve também doença grave, e não procurou cura. Parte de si foi embora, a outra se enrolou em outro, mas o que nem viu que morria foi o que ficou. Ficaram, alguns ficaram, e nem viram que eram parte de um cadáver, já haviam se espalhado e não mais viviam daquele só corpo. Senti que morreu só depois de constatar que novamente não fui ao encontro, logo após ter rompido com aquele que também nos matava, e segundos depois de ver que tudo se romperia. Nada é para sempre, principalmente teias exageradamente complexas e propensas a ataques externos e males que nascem por dentro. Tudo se parte, separa, chora, rompe, e morre. Chorei como quando era repreendido por querer saciar minha sede do que viria, e chorei porque sabia que aquelas lágrimas não eram só pelo imediato passado, mas pelo futuro mórbido e pelo fim já esperado. Assim morreu uma teia. Uma teia cheia de falhas, mas forte para aguentar muita coisa. Há de se notar que a teia não sobreviveria a qualquer distanciamento de seus nós e isso só se percebeu quando ela já estava quase se partindo. A teia esticou, esticou, esticou e rompeu. Morreu de tanto que foi esgarçada, de tanto que foi testada, de tanto que já não se aguentava. É claro que cada um de seus fios não esqueceu-se do outro. Sabemos todos que existimos e lá no menor milímetro de nossos diâmetros desejamos refazer aquilo que nos unia. Sabemos, porém, que somos agora incompatíveis. Não sou mais um azul disfarçado de branco, ele não mais um vermelho de branco, agora tiramos nossas vestes e nos expomos para todos que quiserem olhar. Não temos mais vergonha de mostrar o quanto nos prendem nossos nós, não tenho mais medo de dizer que me incomoda estar presa em um corpo que se desfalece. Mais triste é ver que há aquele fio que não olha mais pra mim, logo aquele fio que me era tão grudado, logo aquele fio que tanto me fez bem. Ele e um intruso qualquer iam desfazendo o nosso nó devagarzinho, sem que eu percebesse e eu bem que tentei mante-lo.Foi em vão e no fim fui eu quem teve que corta-lo. Eu ouso dizer que os outros fios ainda gostam de mim, mas temo por eles não mais me olharem nu, como sou. Temo por amanhã eu mal ve-los de tão distantes, e de que nós todos nos ceguemos por novos nós que fazemos. Mantenho distância entre os nós daquele tempo e os que hoje me encantam, tento não criar atritos, principalmente dentro de mim mesmo. Crio novas teias e não mais choro a que se desfez, já mais uma desfeita em minha longa enrolação. Assim morreu uma teia, assim nascem novas.
Assinar:
Postagens (Atom)
