domingo, 6 de julho de 2025

ilusão

 Sonhei que nosso amor era de rufar tambor. Que sem querer a gente se re-apaixonava. Que a gente se amava. Sonhei com um amor na liberdade. Sem grandes acordos pois o óbvio consta. Não faria o que ela fez, estando naquele lugar. Onde estou, não sei o que fazer. Não me agrada todo esse poder. 

Sonhei que a gente se entrelaçava mais uma vez. Que a gente desaguava juntas. Sonhei com o que houve e o que achei que haveria. Nunca te quis só pra mim. Liberdade, disse você, disse eu. Confiança. Lealdade. Ao invés disso, mentiras e controles. Como se bonecas fossemos no seu jogo da vida. 

O que te dei não tem preço. E por isso mesmo o que cobrei foram palavras. Presença. Proteção. Ganhei silêncios, ausências, ataques. Pedi amizade, certeza, lealdade. Ganhei dor, dúvida e desconfiança. Olho pra trás e vejo o rastro de destruição. Não compreendo. O que você fez está além do meu entendimento. 

Sonhei com você correndo atrás dos sonhos, dando as mãos pra nós. Navegando relações com a facilidade que navega as mentiras. Sonhei, acordei. Você tem outra pessoa dentro de você que me acordou aos berros. Derrubando minha porta esbravejando. Confundindo liberdade de ação com liberdade de consequência. 

Se está doendo, que doa. Em mim arrancou um pedaço, manchou uma história, transformou sonho em pesadelo. Não sei nem como desatar esses nós.