sábado, 10 de agosto de 2024

universo

Uma casinha branca de porta Azul, nós e o mar. Da janela a rua de paralelepípedo, bem pouco reta ou bem cuidada. Todo dia de manhã vemos os vizinhos passarem com curiosidade enquanto tomamos café. Assim como nós, quando passamos nas janelas deles. 

A casa é baixinha, casa de tijolo, coisa simples. É na medida do necessário, na medida do justo. Mas o quintal, o quintal é privilegiado. O quintal é um latifúndio pra todos os passarinhos que por lá passam. É canto de sombra, de frescor, das ervas, dos tomates, da mangueira. No quintal a gente troca poesia, troca carinho, troca cuidado com a terra. Troca descanso.

Lá dentro você na rede lendo um livro. Você não parou. Continua a potência que sempre foi. Eu na cozinha limpando o peixe que comprei do moço que saiu na jangada. Você diz que não gosta de cadáveres na geladeira mas aqui é um peixe que mantém toda uma gente viva. Nem tem tempo de geladeira. Vou cozinhar pra você e encher a casa de cheiro. 

A gente vive da gente, a gente vive da arte, a gente vive da escrita, do ensinar. Que vida que é viver assim. Pequena caminhada e o mar. Poucos passos e um oceano inteiro pra gente. O horizonte como se já nos esperasse naquele por do sol. De noite uma ducha, um vinho, um bom sono. 

Quem passa só vê a casinha com sua porta azul.  Azul mais escuro que o céu do dia, mais claro que o da madrugada. É fantasia e é vontade. É plano e é sonho nessa casinha branca da beira do mar.