segunda-feira, 20 de abril de 2009

Trágico.

Se eu não fosse eu, quem eu seria? Um desvio no meu caminho e outro estágio. Aqueles que prevaleceram me garantiram toda essa calmaria, sinto saudade do desespero. Vá por aqui, não por ali, dizia minha mãe. O professor também falava, mas ele eu desobedecia, era mais divertido. Encantei-me com um mundo que me satisfez, mas não me prendeu. Era tanta sedução, tanto engano, amargas manhãs de palco, doces noites de espetáculo. Pena que não me segurou. Se eu não estivesse onde estava na vida paralela que eu levava, teria chegado a outro lugar e jamais teria me desfeito das máscaras. Noites borradas, cheiro de alcool, novidade. Quando acabou eu sabia que viveria um certo tédio, mas eu escolhi o tédio e não a tentação. Boa escolha, a longo prazo. Sabe, uma das máscaras que eu achei me servia tão bem. Encaixava com o meu passado e era o perfeito estado presente para o futuro desenhado. Usei-a durante muito tempo, demais para quem comigo esteve, de menos para quem comigo só se divertiu. Para mim, no ponto. Às vezes gostaria de sentir tudo de novo, de por a máscara e sair pro palco. Mas, as pessoas que eu reneguei não me querem mais, certas elas. Acho que fui muito puritana, ridícula. Quem era eu pra dizer quem eles eram. É que minha mãe me disse que eles eram isso, eu só repeti. Mamãe está sempre certa, não devo discutir. Até hoje, sobre os outros, não errou uma. Mães, professores, pais. Eles sempre se confundiram na minha cabeça e eu sempre tive o prazer de desobedecer. Quem sabe não quis impressionar um por não saber que ele era? Papai, li o livro todo, oh papai, aprendi direitinho. Caro professor, não li o livro, não sei do que se trata. O prazer que isso me dava. Era uma criança querendo ser grande, sempre fui.
Agora já não sei mais o que me dará tanto prazer, fui privada do palco, esconderam as máscaras, meu professor não liga mais pra mim. Meus pais não querem saber se li o livro ou não. Acabou a diversão.