Lá fora o sol se põe. A dez mil metros, tenho o mundo sob meus pés, mas desconheço tudo o que sob eles acontece. Aqui dentro há apenas um pouco de vida, uma amostra da humanidade. Mulheres, crianças, homens, cada um deixando um pouco do seu passado e destino, podendo mudá-los para sempre. Quem sabe se nós estaremos vivos amanhã? Talvez forme-se um casal, talvez alguém arrependa-se de ter partido, talvez alguém jamais queira voltar. Compartilhamos essas horas, temos, por um curto tempo, a mesma sorte, o mesmo destino.Aqui não há pátria, não há lei, há apenas o que nós queremos que haja. Eu, nessa inércia inevitável de quem sempre vai, observo os olhares e gestos. Penso no que pode acontecer com esse pedaço de mundo. Estar aqui é como não estar em lugar nenhum, mas estar em todos os lugares.Não se é, apenas se foi e se será. O caminho nos é comum, mas o que é esse caminho se não ansiedade?
Lá embaixo a cidade começa a exibir suas permanentes luzes. Vai chegando o fim da transição, vai crescendo a ansiedade para então tornar-se de alegria, explosão. Enquanto nosso mundo vai tornando-se restrito, nossos pés vão querendo andar sob o que foi visto lá de cima. Na terra entramos no turbilhão do qual saímos e a vida não mais continua, ela permanece.
sábado, 18 de outubro de 2008
sexta-feira, 10 de outubro de 2008
Contracapa.
Às vezes acho que você deve desejar viver tudo o que você leu. Vagueio sempre na sensação de que você deve querer largar essa vida cinzenta e se aventurar por aí. Eu tenho uma vontade imensa de viver. Não mastigo cautelosamente antes de engolir os momentos. Mas, o mal que me faz, pouco me importa. Há uma nostalgia constante naquilo que ainda não vivi e, por não conhecer, amo. Acho que li demais. Cismei que você é mais um personagem, tens algo de H.H. Mas serei eu narradora personagem?
Os filmes, esses já não me encantam mais. Andam tão banais, tão realizáveis que perderam todo o mistério.Os livros, tenho certeza de que tudo o que foi escrito ainda há de acontecer, mas a improbabilidade de tal acontecimento é o que faz querer ler mais. Iludo-me?
Escrevo no escuro, não vejo minhas palavras, mas assim é a vida, uma notícia, não História. Suspiro a espera do príncipe, mas antes que ele chegue eu mudo do romance para o suspense e o troco por um sapo misterioso.Li pouco, ainda não sei bem quem és.Andei pensando em você, escrevendo um romance que jamais sairá da minha cabeça.Tento entender o porque de tantas voltas quando se pode chegar logo ao clímax. Sei apenas que quero escrever tudo o que viverei, para então ler tudo o que vivi. Meu mundo é este, mas esse não o é.
Os filmes, esses já não me encantam mais. Andam tão banais, tão realizáveis que perderam todo o mistério.Os livros, tenho certeza de que tudo o que foi escrito ainda há de acontecer, mas a improbabilidade de tal acontecimento é o que faz querer ler mais. Iludo-me?
Escrevo no escuro, não vejo minhas palavras, mas assim é a vida, uma notícia, não História. Suspiro a espera do príncipe, mas antes que ele chegue eu mudo do romance para o suspense e o troco por um sapo misterioso.Li pouco, ainda não sei bem quem és.Andei pensando em você, escrevendo um romance que jamais sairá da minha cabeça.Tento entender o porque de tantas voltas quando se pode chegar logo ao clímax. Sei apenas que quero escrever tudo o que viverei, para então ler tudo o que vivi. Meu mundo é este, mas esse não o é.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Desvio de senso crítico.
Queria escrever sobre mim. Queria ser a narradora dos meus textos, o eu-lírico de cada palavra, mas não sei fazer isso. Talvez eu seja simples demais e não tenha nada a dizer. A verdade é que sou tantas que não consigo escolher qual ser. Tento agora, inutilmente, falar de mim.
Sabe, ela é meio louca. Vive falando sozinha, é exagerada, não entendo.
Ela é a mulher de um traficante, não, uma missionária evangélica. Pensando bem, acho que é uma garotinha inocente, ou seria uma cartomante?
Tentou ser tudo o que quiseram que ela fosse, fez caras e bocas, se pintou e saiu pro mundo.Ela é do mundo, e ele é dela. Cada canto esconde um sorriso e uma lágrima que ela riu.Todas as lembranças, todas as memórias, nada é mais real, ela vive delas. As paixões que teve, os amigos que pouco conheceu, foi tudo tão efêmero e pouco ficou. O amor que sentiu e os amigos que abraçou, guardou-os todos e com eles vive.
Ela não é muito normal, mas qual a graça de sê-lo?
Diria o Chico que Ela nunca será de ninguém porém eu não sei viver sem, e fim.
Sabe, ela é meio louca. Vive falando sozinha, é exagerada, não entendo.
Ela é a mulher de um traficante, não, uma missionária evangélica. Pensando bem, acho que é uma garotinha inocente, ou seria uma cartomante?
Tentou ser tudo o que quiseram que ela fosse, fez caras e bocas, se pintou e saiu pro mundo.Ela é do mundo, e ele é dela. Cada canto esconde um sorriso e uma lágrima que ela riu.Todas as lembranças, todas as memórias, nada é mais real, ela vive delas. As paixões que teve, os amigos que pouco conheceu, foi tudo tão efêmero e pouco ficou. O amor que sentiu e os amigos que abraçou, guardou-os todos e com eles vive.
Ela não é muito normal, mas qual a graça de sê-lo?
Diria o Chico que Ela nunca será de ninguém porém eu não sei viver sem, e fim.
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