sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Contracapa.

Às vezes acho que você deve desejar viver tudo o que você leu. Vagueio sempre na sensação de que você deve querer largar essa vida cinzenta e se aventurar por aí. Eu tenho uma vontade imensa de viver. Não mastigo cautelosamente antes de engolir os momentos. Mas, o mal que me faz, pouco me importa. Há uma nostalgia constante naquilo que ainda não vivi e, por não conhecer, amo. Acho que li demais. Cismei que você é mais um personagem, tens algo de H.H. Mas serei eu narradora personagem?
Os filmes, esses já não me encantam mais. Andam tão banais, tão realizáveis que perderam todo o mistério.Os livros, tenho certeza de que tudo o que foi escrito ainda há de acontecer, mas a improbabilidade de tal acontecimento é o que faz querer ler mais. Iludo-me?
Escrevo no escuro, não vejo minhas palavras, mas assim é a vida, uma notícia, não História. Suspiro a espera do príncipe, mas antes que ele chegue eu mudo do romance para o suspense e o troco por um sapo misterioso.Li pouco, ainda não sei bem quem és.Andei pensando em você, escrevendo um romance que jamais sairá da minha cabeça.Tento entender o porque de tantas voltas quando se pode chegar logo ao clímax. Sei apenas que quero escrever tudo o que viverei, para então ler tudo o que vivi. Meu mundo é este, mas esse não o é.

7 comentários:

Thaís Bandeira disse...

Achei esse, dentre tantos outros, um dos mais misteriosos. Seria impressão minha, ou todas as mulheres realmente têm atração pelo que não possuem? Todas elas têm a tendência a querer vivenciar sempre o novo?
E pelo que percebi, algumas partes demonstram um certo medo de alguma coisa. Estaria eu correta?
Outra (e juro que última) pergunta que eu, uma leitora fiel, tenho: realidade, ficção ou uma mistura dos dois?

Anônimo disse...

"Às vezes acho que você deve desejar viver tudo o que você leu."

"Os filmes, esses já não me encantam mais. Andam tão banais, tão realizáveis que perderam todo o mistério."

As melhores partes (ou frases), na minha opinião. O título encaixou perfeitamente. Ótimo texto.

AriFilho disse...

"Tento entender o porque de tantas voltas quando se pode chegar logo ao clímax"

Verdade, viu... às vezes me pego tentando entender esse 'porque' também. E pior, mesmo, é quando se evita esse climax...
Acho que não poderia deixar de finalizar sem me referir à Sra. Condessa de Perleminouse, mandando-lhe minhas respeitosas saudações, um beijo e "aquele abraço",

Teu N.N

rsrs

William Thacker disse...

Mais um belo texto seu. Encanto-me a cada palavra escrita. Concordo plenamente com sua busca pelo novo e desconhecido. Pelo que não se pode ter. Também concordo com a tentativa de entender o porque de tantas voltas quando se pode chegar ao clímax. Em relação ao teu príncipe, quando encontrar, pergunte: "Como eu encontrei te encontrei se estava dentro de mim?"

Frederico disse...

Se não houvesse tantas voltas, talvez o clímax perderia o seu gosto ;)

Anônimo disse...

Nuss... o.o

Profundo...

Ler é divertido, mas viver é mais intenso...

De que vale saber o final, se ele ainda não chegou? ^_^

Lucas M. Lopes disse...

Engraçado mesmo. É como se o mundo parasse para nós mas ele continua o seu caminho indefinível, sem se importar se estamos alheios a ele -- ou não - por algumas horas de nossas vidas. Belo textículo esse seu ;)

Beijos do seu Diplomata Seno de 30 o/