sábado, 31 de maio de 2025

Bsmt 254

 A música me involve e faz transcender. Me sinto em casa ao som do familiar. Ao som do novo, me sinto curiosa. O mundo lá fora é complexo demais. Meus pensamentos são complexos demais. Na batida do som eles aquietam, acalmam. 

Descobri que faço parte de um grupo de pessoas que em geral muito se incomoda com música alta. Nisso, diferente somos. Do lado da caixa de som as notas entram por todos os meus sentidos. Me inundam. Respiro. Respiro profundamente. Vivo. Nada importa. Tem quem ache estranho. Não vou explicar essa sensação que é só minha, sem me entorcepecer senão pelo som. Eles não entendem.

Ando ocupada, atrasada, cansada. Ando feliz. Ouço Reconvexo, saúdo a Oxum, dois e dois como quando a dança era pertencimento. Hoje não, hoje é minha. É minha e de ninguém mais. O tempo, a vida, os amores, meus. Eu. Pertenço ao meu próprio corpo. A minha própria alma.

O suor escorre, a perna cansa, continuo. É que não dancei suficiente nessa vida. Atrasei. Pois agora vivo, como posso, quando posso, porque posso. A vida ilumina a gente. As luzes também me atraem. Em mim, mais. Gosto de estar nos refletores. Por isso subo no palco, seja qual palco for. Aplaudam-me de pé.

Eu sei quem sou. Por isso quero ir. Quero dançar em outros idiomas. Meu tempo é precioso demais. Não posso ficar parada. O relógio não para, a música não para. Não vou deixar de seguir o ritmo. A quem que seja anuncio: dance comigo, ou me deixe livre pra dançar.