domingo, 28 de setembro de 2025

take me to church

 O sol toca minha pele, ilumina, queima. Dentro de mim fogo, fogo como nunca antes experimentei .  Vontade, desejo, ódio, amor. Vontade de viver, de caminhar pelos caminhos ainda não feitos. Desejo de alcançar aquilo que não foi alcançado, que é meu. Ódio de quem me suga, quem me usa e mente, incapaz de pedir perdão. Amor por quem me nutre, quem me desafia a ser eu todos os dias, porque qualquer outra não seria por eles amada. Dizem que olhar pro verde por vários minutos gera dopamina. Sem dúvidas arder assim também. Todos esses hormônios revoltados, rebeldes que mal permitem respirar. Deixem-me ir, vou alimentar vocês. Se é isso que a configuração astral deseja, assim seja. Um calor, em pleno setembro, beirando outubro. Sinto que estou envolta nesse calor astral. Subo minha voz como o mundo tem subido a sua. Titânio. Sentir é força. É conectar sua alma a alma do mundo. Fraca é aquela que se enterra em negação da própria natureza. Ser titânio e ainda assim, arder. Subo no palco e a luz que me cega é a mesma que me guia e nutre. Pode atirar, vai. Vou espernear e gritar. E então vou te desprezar. Contenho multitudes e não posso parar. As vezes queria ainda mais. Ir nesse barco arder junto em defesa da vida. Mas entendo que meu lugar é aqui. Vou então gritar. Não me verão calar. Não me verão esfriar. Essa luz vai continuar crescendo a cada outro que encontrarei. Seja quem em mim atire, seja quem a mim abrace. Nós somos assim. Nós que vibramos com as ondas do mar, que carregamos as missões dos nossos antepassados. Nós que erguemos a voz sem dúvida da justiça dela. Nós que esperamos pra ver porque confiamos na humanidade. Nós que quando então vemos, explodimos. Tem sido uma longa jornada. Uma difícil jornada. Libertei a mim mesma para então poder me juntar a tarefa da libertação.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

musas

 Ainda lembro você 

Se balançando devagar

Dizendo: adoro essa música 

Tomando um café 

Olhando lá fora.


Era primavera e ela

Foi minha primeira.

Dizendo: suficiente não sou 

Já não falo daquela,

Falo dessa, que aqui não está.


Era verão e eu a vi

Pela primeira vez.

Dizendo: ela é minha mulher

Agora digo dessa,

Que minha não é. 


Houve obra de arte

Houve peixe e aquário 

Passaram tão rápido 

Pouco deixaram

Pouco vivi. 


Encontrei passarinha

Que não voa sozinha

Morando tão longe 

Ficando difícil 

voar pra lhe ver.


Ando procurando 

Não estou achando 

Onde está você?