sexta-feira, 9 de setembro de 2011






Acho que sou completamente louca. E isso me deixa mais louca ainda. Que tédio. Não sei mais brincar. Perdi o jeito, não convenço mais. Mas olha pra mim, olha vai. Brinca comigo de novo. Ainda quero aprender.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Stand=By

Seus dedos escorrem sobre os livros na estante. A janela ao seu lado. O tempo que passa, não passa. Não há dor, mas se gostaria que houvesse, para que se pudesse chorar. A distância não afeta, o tédio é o que incomoda. Soube-se em algum momento que o que se passava lá fora a pertencia. Agora, só se sabe que lá está fora, e dentro dela é vazio. Não sabe se foram as noites mal dormidas, se foi o dia ensolarado, se é a noite quieta. O que a ronda é o incomodo da ausencia de incomodos. Deveria doer mais, deveria sentir. Não sente, inércia. A vida está em seus fios de cabelo, mais do que em seus olhos, em seus abraços. O quarto é escuro, a música é escura. Sem cheiros, sem sons, sem vidas. Sua presença é formalidade. Poderia estar aqui, poderia estar lá, não é nada. Para ninguém.
Longe, em outro ambiente pouco habitado há quem faça silêncio no barulho, há quem carregue a vida como reação. Longe, há quem não sinta dor desejando sentir. No outro quarto, sem cheiros, sem dia, sem noite, não se sabe que não se está sozinho. Seus olhar também se coloca sobre a janela e rejeita o que há fora. Seus dedos também sentem as memórias, e o futuro. Em outras paredes, o mesmo se repete. Das ruas lotadas, das vidas sorridentes, há sobras. Há as madrugadas nos quartos pequenos, há as manhãs nas camas desconfortáveis, há vidas, poucas. Vidas em potencial, vidas guardadas. Vidas que esperam pela hora de participar do mundo, e essa hora não chega.
Em um, em outro, não há presente. Há um passado em que não se foi assim, que se viveu. Há um futuro que se espera. Não se enxerga mais do que se foi feito para enxergar, não se sente. Mas pensa, só pensa. Aqui e lá, pensamentos. Sabe-se que são os pensamentos que os fazem não sentir, não doer. Querem a angústia, mas não a tem. Querem o medo, não vem. Querem o pavor. O horror. Nada, inércia. Sem incomodos, sem mais, menos. Ignoram, todos, os ignoram. E querem permanecer ignorados. Precisam dormir.

quarta-feira, 30 de março de 2011

vida.

raiva. tédio. impaciência. sono. ciúme. apatia. dor.

dói.

e não acaba. lágrimas poucas, sono. dor.

apatia.

impaciência.

sem histórias, sem mistérios, só ausências.

páginas em branco. páginas que não serão escritas.

sem contatos, sem tesão, sem rancor.

sim, rancor sim. não há perdão.

sem fome, sem sono, só obediência.

tirem-me daqui. sou só, só. onde está você?

sábado, 22 de janeiro de 2011

Pequena história.

Ele era um rei, um rei malvado, um tirano, um Henrique VIII. Seu quarto era sujo, suas mulheres muitas, sua cama desarrumada. Suas roupas grandes demais faziam achar que ele era grande, mas era magro, muito magro. Sua coroa era um chapéu de pano, seu mastro era imponente, seu sorriso impossível. Ele julgava quem merecia ser sua, quem deveria lhe servir. Ela entrou em seus aposentos, esperava ser mandada à morte. Então o viu. O conhecia, e ele ainda dela lembrava. Não sabia o que se seguiria, esperava, ansiosa. Mas, como em todas as vezes ele era dono de suas vontades, sabia agrada-la e, agora, como não antes, ele parecia ter algo a oferecer. Era um rei e ela, nada. Os segundos pareciam decisivos naquela história que era dela, mas não lhe pertencia. Já não contava aquele conto a tanto tempo e tinha medo do que imaginava. Ele a convenceu sem nada falar e antes que ela pudesse gritar, chorar ou acordar, já era sua. Foi como novo. Ele a queria e ela não duvidou que também o quis. Deixou-se deitar, deixou-se levar, deixou-se. Sentia passado, mas era presente, era ela agora, não ontem. Ele, não sabia se era ontem, se hoje, se amanhã. Era ilusão. Um rei que a tomou em seus braços e a fez sentir-se bem, sem pequenos erros, sem desculpas. Ele era um rei, e ela foi súdita. A cada dor um momento de alegria, a cada olhar um perdão, ela era dele e ele, quem era? No suor sentiam-se plenos, sentiam-se pouco, sentiam-se. Ele era rei, ela rainha, de um reino dos sonhos, de um mundo real. Quem eram eles, não sabia, se fui alguem, não sei.