sábado, 22 de janeiro de 2011

Pequena história.

Ele era um rei, um rei malvado, um tirano, um Henrique VIII. Seu quarto era sujo, suas mulheres muitas, sua cama desarrumada. Suas roupas grandes demais faziam achar que ele era grande, mas era magro, muito magro. Sua coroa era um chapéu de pano, seu mastro era imponente, seu sorriso impossível. Ele julgava quem merecia ser sua, quem deveria lhe servir. Ela entrou em seus aposentos, esperava ser mandada à morte. Então o viu. O conhecia, e ele ainda dela lembrava. Não sabia o que se seguiria, esperava, ansiosa. Mas, como em todas as vezes ele era dono de suas vontades, sabia agrada-la e, agora, como não antes, ele parecia ter algo a oferecer. Era um rei e ela, nada. Os segundos pareciam decisivos naquela história que era dela, mas não lhe pertencia. Já não contava aquele conto a tanto tempo e tinha medo do que imaginava. Ele a convenceu sem nada falar e antes que ela pudesse gritar, chorar ou acordar, já era sua. Foi como novo. Ele a queria e ela não duvidou que também o quis. Deixou-se deitar, deixou-se levar, deixou-se. Sentia passado, mas era presente, era ela agora, não ontem. Ele, não sabia se era ontem, se hoje, se amanhã. Era ilusão. Um rei que a tomou em seus braços e a fez sentir-se bem, sem pequenos erros, sem desculpas. Ele era um rei, e ela foi súdita. A cada dor um momento de alegria, a cada olhar um perdão, ela era dele e ele, quem era? No suor sentiam-se plenos, sentiam-se pouco, sentiam-se. Ele era rei, ela rainha, de um reino dos sonhos, de um mundo real. Quem eram eles, não sabia, se fui alguem, não sei.

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