domingo, 19 de abril de 2009

De Volta.

Voltar e viver tudo de novo. Não quero mais isso pra mim, por favor, não. Chega disso, eu fugi e queria retornar sem você aqui. Maldito você, está aqui. Tudo volta, um redemoinho em minha cabeça, um aperto no meu peito. A dor que me traz. Essas ruas, essas paredes, minhas lágrimas. Não sei o quanto vou aguentar depois do alívio que tive. Apesar de você eu cheguei lá. Orgulho por ter aguentado, desgosto por ainda não saber lidar. Será que é você, me arrepio, meu coração acelera, suo frio, há tanto tempo... Uma doença, uma memória que não vai. Talvez a culpa seja minha, eu sou o fraco que não consegue superar. Mas é tão difícil. Eu ainda estou aqui, e tudo o que o ontem deixou. Medo, curvo minhas costas. Em poucos segundos tudo se esvai e a tristeza volta. Onde estive? No paraíso, talvez. Nenhuma dor minha é igual a esse maldito aperto. Vazio, insegurança. Se estive lá eu quero voltar. Prefiro o sufoco das noites solitárias do que essa maldita volta ao passado. Vai embora, e não volta jamais. Vou aprender a me livrar de você, cansei do seu fantasma, chega de ser uma longa história que explica metade da minha existência.
Eu sou mais, bem mais, mais do que isso, mais do que você.
Um quarto que foi meu, que sempre será. Memórias minhas, alegrias, tristezas. Estou de volta, estou de volta sorrindo por saber que é temporário. Confesso que às vezes o conforto vem, a vontade de desistir surge, mas não é suficiente. Não é maior que meu amor, não é maior que meu futuro, não chega perto do prazer da novidade. Aqui só tenho memórias, tantas ruins. Aqui tenho laços, mas tenho também obsessões. O mal que me faz some com a distância, o bem não. Parti pra me ver livre de todo o mal, sei que o que é de bem permanece sem condições. Esse quarto tem vida mesmo quando eu nele não estou, e isso me assusta tanto quanto me conforta.
Os quadros na parede trazem tudo o que eu pensei sobre eles, as telas, tudo o que me fez mal e que senti. O mapa eu queria levar comigo. Ele foi o que me fez tentar sair. Olhando para o mundo lembro que sou ínfimo comparado à infinidade de vidas que existem por aí. Meu pedaço de mundo é muito pequeno e já é demais pra mim. Minhas ideias não são nada, nem meu passado, nem meu futuro.
Volto para saber o que stou perdendo. Volto para dar mais valor pro que conquistei. Volto, por ir embora e ter mais.