sexta-feira, 18 de abril de 2025

novela de uma quinta a noite

 Como uma aranha imersa em uma teia de amores e promessas você se enrola. Vejo nos seus olhos a tristeza. Está escuro e todas dançam, mas seu corpo carrega um peso de incerteza e indecisão, insegurança e dor. Ofereci tudo, você não quis. Você não soube me amar. Ela te ofereceu tudo, você também não quis. Agora você sem saber o que busca encontra apenas o caos.  Quem você agora quer não é só um novo brinquedo. Mesmo que você diga não se envolver, sente ciúmes. Dela, da outra. De mim? Não sei, e pouco importa. Eu rio. Não estou feliz pela sua tristeza, mas confesso que toda essa trama é realmente curiosa. Complexa, porém simples. Outra, você, ela, eu, tantas mais. Muito amor e pouquíssimo amor. Como um pêndulo você nos afaga e nos larga. Digo para mim mesma que não faz sentido você mal falar comigo. E então percebo que você se afundou nessa trama e não é sobre mim. Não é sobre nós. Você se trata mal, não se permite sentir por inteiro. Em meio a tanta gente, por que não dançar conosco? Em meio a mulheres perdidas, chatas, outras, por que não escolher nós duas? Acho que você precisa provar pra si mesma que não é amável. Que não é digna de nós duas. Viés de confirmação. Na multidão eu vejo seus olhos cansados. Foi você quem criou essa teia. Foi você quem desejou os fins que não encerram. Foi você que não soube ter paz. O drama não é meu, nunca foi. Segue em frente. Eu não vou olhar pra trás. Se um dia você desfizer a teia, não sei se estaremos mais aqui. Cuide. Eu penso no papel. Ao menos ela pode ser livre de te ver se enforcar na própria teia. Eu assisto e permaneço.