terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Intromissão

 Eu tenho por hábito me intrometer na vida de quem amo. Não para mexer em nada, não pra sacudir ninguém. Apenas para conbecer novos mundos. Quando amo, seja amor romance ou amor amigo, preciso conhecer seu mundo. Saber quem você é, de onde vem, o que faz, o que pensa. Preciso entender o caminho para te conhecer. 

Cada pessoa tem consigo um universo. Famílias, amigos, crenças, histórias. Meu mundo não me basta. Preciso conhecer o seu e te trazer pro meu. Navegar a nossa jornada é conhecer seu universo. Seja você quem for. Cada estrela cada sorriso cada canto cada memória. Cada pessoa. Visitarei, verei, sorrirei. 

Não estou te invadindo. Não estou te cercando. Sei que muitos se assustam com meu caminhar, com meu olhar. Acredite, não é por maldade. É apenas curiosidade. Uma necessidade gigante de estar em harmonia com as energias que te cercam e te influenciam. Não é sobre Robin, é sobre Be. Não é sobre Laura, é sobre Maria. Não é sobre Recarei, é sobre Frederico. Não é sobre Angela ou Índia, China, evangélicos ou judeus, é sobre Jade, Nittin, Kitty, Danilo, Dani.

Seja você quem for, conhecer seu caminho é te descobrir. Te descobrir é te entender. Te entender é te amar sem condição. Quisera eu que mais de vocês quisessem conhecer meu mundo. Sinto que tantos nem olham, nem veem. Você ainda sem nome, seja bem vinda. A porta está aberta e eu vou bater na sua. Vou adicionar sua mãe, ser cortes com sua ex, estudar sua religião e ouvir sua música. E vou estar sempre, sempre no seu time.

Saiba: não vou virar você. Jamais me interessou o espelho. Jamais me interessou ser cópia. Se queres que eu seja você, negócio não fechado. Não copio não imito não sigo. Seu universo me inspira a ser melhor para você sem deixar de ser eu. Seu universo me diz onde pisar, onde me mostrar, onde me esconder. Sem deixar de ser eu. Sem querer o que é seu. Sem desdenhar do que você ama. Prazer, Ana. E esse é o meu universo. 

Inner blooming

 The universe is quite a balancing force. If we surrender to it, if we allow it to rule our lives. If we forsake all dreams of control, all impressions of self interest. If we walk on grass, swim in the ocean and stare at the stars. It will respond. 

I see the full moon from my window. It reminds me of Summer, of kissing her in the park while the mosquitoes attacked us. We didn't care, and it was magical because we didn't. Summer's gone now, and I barely saw Summer this Fall. I miss her sweet smile and our switching between three different languages. I miss drinking her soda from Pakistan, I miss the smell of her apartment, I miss the sweetness of her lips. 

The window itself reminds me of someone else. Me. At 8, at 18, at 33. Looking out for something more. Asking for signs. Listening to music that makes my soul cry. Sometimes I just wish I could see something and then I remember that I see things all the time. I must pay attention. Names, numbers, songs, phrases, smells. It's all connected. 

I always believed there was more. I just lost faith for a while. I stopped observing, watching the little things. Reason and emotion took over and left soul behind. Like both a little lab rat and it's owner, at once I created a sterile, isolated and controlled environment. Built my own cage. No more. I'm free. 

Last new year's eve I held my stomach and wished for a life to be born and for it to be mine. Little did I know I was fertilizing my own self. Little did I know that a seed was already inside me, screaming for water and sunlight. Little did I know that the blooming had already begun. That what would bloom was me again, anew. My Be then showed me Innerbloom last spring and like a snake to an enchanter flute I grew taller and taller, mightier and stronger. Colorful. Spring called. I flowered.

I now end this year in full blossom. No, not full. There's still much more. The hermit card told me to keep looking inward. To keep reflecting. To keep watering my earth. I now go feed from my little star, Maria, who first watered me. I crave to know her ever more. I crave to know myself ever more. I dream and the universe makes sure I'm dreaming it right. Thank you. 


domingo, 15 de dezembro de 2024

expectativa

 Sigo meu caminho. A cada passo caminho pela vida que pode ser. Um pé a frente do outro, devagar. Dei-me permissão para descansar. Correr não está mais nos meus planos. Saboreio o que é, sinto o gosto do pode ser. Sem sair do presente. Aprecio. Esse momento não vai se repetir.

Quando comecei a voar me afobei. Quis provar do mundo todo rápido demais. Foi indigesto. Pessoas e aprendizados. Agora não mais. Piso no freio e sinto o vento bater devagar. Posso me ver no espelho. Percebo pequenos sorrisos. Escuto os silenciosos barulhos. É como se tudo estivesse maior, mais lento, mais vivo. É inverno e eu, mamífero. 

Daqui uns dias estarei voando. Como pássaro que foge da neve, é como eles chamam. Mas eu não estou fugindo. Estou indo ao encontro de amores e mares. De sol e de calor, areia, sal, verde. De pão de queijo. Será familiar e ainda assim, novo. Um mundo que é meu e não é. Vivo no entremeio. 

Nunca fui apegada a pátria. Coisa boba. Aprendi desde cedo que o que acontece do outro lado do mundo é tão importante quanto o que acontece aqui. Aprendi que toda gente é gente. Aprendi a me despedir e ir. Ainda assim, parte de mim sente que pertence. Sente que existe-se melhor lá, cercado dos seus. 

Também pertenço aqui. Já não vejo mais minha vida sem o palco, sem a sala de aula, sem essa casa, essas pessoas. Tudo muito normal, como um dia após outro. Rotina. Vida. Casa. Recebo uma visita. Faço um jantar. Falo inglês. Aos domingos vejo a família brasileira em um bar ucraniano. Na Ilha da Tartaruga e ainda assim, casa. 

Navegar entre esses mundos é um privilégio. Preciso lembrar mais disso quando estiver com a louça acumulando. Quando não conseguir trabalhar. Andei falando que me sinto fantasma. Tenho estado melhor, mas há dias. Agora vivo no aguardo de encontrar Maria. Isso me faz mover. Privilégio é viver no mesmo tempo que Maria. Tão doce e tão decidida. 

Vou-me então ao encontro com minha terra meu mar minha estrela. De volta pra casa fora de casa. Em busca de cura, de reparação, de acolhimento. Levem minhas malas de lágrimas pelo ano. Agora apenas felicidade ou cogumelos. Vamos.