Um, dois, três, quatro. Não sei o que fazer com tão poucos, que tirei de muitos mais. Indo ou vindo, são quatro que ficam. Dizem que um é o que tem que ser, o segundo tem justificativa, mas o terceiro já é demais. Um quarto, só pode ser doença. Que há de errado com você? Nada, tenho certeza. São diferentes, entendam. Querem ser fantasma, querem ser faísca, querem ser perturbações perigosas. Mas há quem queira ser pra sempre, quem queira ser tudo. Fui com todos e muitos mais, fico com poucos, dentro de uma caixa. Quando preciso de suor escolho um, para brincar puxo outro, quando tento de novo entender, devagar olho e com medo logo me afasto. Cada um com uma função, um com o pleno. Inventaram essa tal de mono alguma coisa e eu não quis acreditar que era possível. Nem quis cumprir. Hoje, com muita dor e controle, acredito, e cumpro. Na vida real. Nos pensamentos todos são, todos se misturam e eu não me importo. Dentro da imaginação cada noite é de um, e cada um é uma noite. Também sou muitos, com muitas cores e máscaras, por que para cada um sou o que querem que eu seja. Visto-me para cada ocasião, escolho o tom das palavras e o ponto de partida. O de chegada, porém, sempre requer muita atenção. Afinal todos têm seus únicos, eu não sou o único. Não sei bem o que para eles sou, se têm outros ou sou só eu. Penso e finjo que sou o centro das atenções. Tudo girando ao meu redor, isso é o que imagino. Não sinto culpa com o segundo, nem com o terceiro, muito menos com o quarto. Sinto-me inocente por deixar nas palavras o que poderia escapar pela boca. O primeiro deve saber o que faço, ele também deve ter seus muitos. Espero que tenha. Penso que a sabedoria e o fiel é manter tudo isso em uma meia dúzia de páginas. Errado é o que deixa escapar. Não que eu não queira um dia perder o controle, mas me controlo para não querer. Ah, vai, não me digam que nunca quiseram, não mintam! Já até me contaram histórias, mas hoje também sabem se controlar. Penso, porém, que um agora é que acorda pra esse mundo de confusões e números. Cuidado, se se deixarem levar podem nunca mais voltar. Prestem todos atenção no que vos digo! Pelo que (in)felizmente fiz digo que nem comecem, deixem escrito. Fiz, por que não imaginei, nem escrevi. Estava, eu, lá. Em um papelzinho com todas as palavras sujas, em músicas com segredos e em palavras com passado é como se faz essas coisas. Guardem. Deixem sempre, porém, espaço para pensar e sentir o pensamento. Essa tal de mono dentro de toda uma gama me deixa confuso. Confuso, porém, decidido. Decidi com o primeiro que seremos de outros, mas juntos. E que o pensamento, cada um com os seus. Espero que também pensem em mim e que saibam se comportar. Não percam nunca o primeiro, pois os outros nunca o serão. Eu vivo então comigo, com você, com eles e com elas.