Voa, vai, e volta. Não me esquece. Promete que vai olhar pro céu onde você for e vai pensar em mim. Jura que não vai achar ninguém mais bela que eu, que não vai achar ninguém mais interessante, que não vai ser interessar. Quando seu coração apertar, pensa que tem alguém te esperando, e pede pra Alguém te proteger. Quando o medo vier, imagina minhas mãos nos teus cabelos, imagina a gente, imagina o mundo, e nós dois. Saber que você agora está mais longe parece ser saber que agora é que você está realmente longe. Meu quarto, vazio, minhas memórias, insuficientes, minhas mãos, vão. E o peito aperta, dói, mas é uma dor tão diferente, essa tal de saudade. Nem sei quando foi a última vez que a senti de verdade, não sei quando ela foi mais do que apenas uma palavra triste. Agora, viva. S-a-u-d-a-de. Sem mais, não há razão pra tristeza, sem menos, não há razão pra só sorrir. Sempre fui indiferente, sem graça, morta, insensível, e agora você me toca assim. Tão longe, tão mais perto do que tantos outros.
Vai, vai sim, e aproveita cada momento. E sente cada cheiro, vê cada caminho, cada chegada. Guarda as fotografias, depois faça-me um relato. Não meça as energias, jogue-as sempre que achar que vale a pena. Mas também não se canse, te quero com todas as suas forças, com todas as minhas forças.
Jamais me imaginei escrevendo algo assim, mas,ou nessas palavras gasto o que sinto, ou no meu travesseiro gastarei. Escrevendo sinto como se pudesse compartilhar minha dor, tão inexistente senão sinônima. Então aqui estão meus mais melancólicos pensamentos, meus mais românticos sentimentos, meu mais escondido eu. Junto com todo o resto que escrevo com tanta voracidade, com tantos gritos, com tantas inverdades, jaz aqui agora, o que em mim há de mais real, de mais assustador, talvez.
Sei que só vou sossegar quando te tiver na distância normal, quando o longe for o longe habitual. Acostumei com a saudade cotidiana, digna de quem tem várias despedidas na memória. Até as suas despedidas tornaram-se cotidianas, e não sei se isso é bom, por reduzir a dificuldade, ou ruim, por torná-lo mais um pra quem dar adeus.
E me vem na cabeça Vinícius, seu contente, de repente sozinho, seu amante, triste, de repente.
Talvez esteja exagerando, fazendo drama demais. Perdoe-me, drama, sou eu. Mas é no mínimo um alívio soltar esse nó que me deixou seu último beijo, nossa última conversa, sempre interminável.
Olha, cá estou eu a falar de você, quem sabe talvez um dia sejamos plenos e eu não mais tenha razão pra falar da saudade. Aliás, pelo que eu escolhi, não tão cedo as despedidas cessarão.
Então vai, e volta. Eu também vou, vou sonhar com você, comigo com você.