sábado, 27 de dezembro de 2025

sem estrutura

 Como pode ter gente

Que vive sem mar.

Vive sem ver o tudo,

Sem ver o mundo 

Só até o fim do olhar.

Como pode viver sem sentir 

Não sei,

Vivi. 

Ver bastava, me dilacerava.

Como pode tanto querer 

E pouco dar. 

Fugi do mar, me fui a nadar

Muito perdi,

Agora posso boiar. 

Ganho também as ondas 

Que vez em quando mudam

Molham e me fazem chorar.

Como posso finalmente viver

Só pela curiosidade 

De ver além-mar.

Água salgada que desce a bochecha,

Que me faz respirar.

Mereço meu choro.

Mereço meu sopro

Porque me amo

Tanto quanto há mar.


segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

invisível

 A verdade está no brilho dos seus olhos

na luz que sai da sua retina

quando você me olha.

A verdade é um sorvete depois de um baseado

um pão bem degustado

água gelada em onda de calor.

A verdade é nova como quem ressuscita 

pois já antes houve

mas tampouco era a mesma.

A verdade é carregar peso de baixo d'água 

Parece difícil.

Não é. 

A verdade anda escondida em história 

viva em memória 

carregando nós duas.

A verdade é o que te faz ficar e vir

já que no fundo 

sabe que não precisa. 

A verdade talvez você nem saiba 

mas eu te perdoo 

por não querer saber. 

A verdade é plena e viva, é nossa sempre

mesmo que invisível,

existente.