quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Sem Assunto.

Eu não sou mais. Epifania.Não sei o que deixei de ser, nem sei o que era antes. Meu braço está arranhado, me machuquei. E dessa vez sou uma mulher. Finalmente o sou.Onde estou, o que será que fiz? Fantasmas ao meu redor, medo do que passou. Angústia. Não choro, não sou do tipo que chora.Como uma nuvem que paira, não descarrego.Meu cabelo não está arrumado, não ligo. O vento que à noite me assusta, agora vem pra me dizer que não estou sozinha. Sinceramente, não sei do que estou falando. A sala está vazia. Olho pra frente, não há. Cadeiras vazias, todos foram embora. Estou te esperando, estou me esperando voltar.Essas paredes guardam minhas palavras, aquelas que jamais foram ditas. Guardam beijos que dei, abraços que distribuí, tantas lágrimas que prendi.Um pedaço de mim fica, maior do que o que daqui levo.Coração vomitado, tudo proibido, tirado. São tantos os vocês, tantos sim, duros não.Para ser coerente utilizo a incoerência, a falta de uma idéia central.Tão difícil escrever, quem lê não sabe qual o contexto do que te rege. Dói. Estar sentada aqui dói. Não poder voltar no tempo e fazer o que eu realmente deveria ter feito, dói.Te deixei ir, fui.
Um menino veio me perguntar se eu estava bem. Estou. Desculpe a intromissão, esse livro, já leu O mundo de Sofia? Já. Desculpe a intromissão, vou indo. Tudo bem.
Tudo bem, chega disso tudo. O que me foi sugado agora me é devolvido e a cor volta à minha face.Não sou mais. E, por isso, agora volto a ser. Alívio.

5 comentários:

Thaís Bandeira disse...

"Escrevo para entender quem eu sou e o que eu penso sobre determinado assunto. Eu escrevo para mim."
- Martha Medeiros.

Acho que escrever é na verdade um eterno desabafo pessoal. Você, felizmente, tem na escrita o seu reconforto e até nas horas mais difíceis, sabe usar o seu talento para nos dar o prazer de ler textos tão bem escritos, mesmo em meio a correria do vestibular, aulas e estudos.

Adorei o contexto espacial, mas, mais ainda, amei a paixão que é descrita a cada linha...

"Dói. Estar sentada aqui dói. Não poder voltar no tempo e fazer o que eu realmente deveria ter feito, dói.Te deixei ir, fui."

Quem dera que nós pudéssemos controlar nossa vida como controlamos nossa tevê. É como te disse, é necessário aprender a ver o lado bom de todas as coisas, inclusive as ruins.

Se você transpor em textos as coisas da sua vida, terei um bom livro na estante de minha casa. :D

Unknown disse...

Eu queria entender o que se passa nessa cabeça. O quanto disso tudo é um desabafo, o quanto é ficção (se é que existe ficção ai). Enfim, acho que o mistério so deixa as coisas mais interessantes... =)

AriFilho disse...

Só mesmo o coração de uma Zenaide poderia abrigar sentimentos transcritos com tais palavras; não por conta de Oswaldo, não! por conta do vestido azul, talvez, que não é o preferido dele. Ou mesmo por conta da falta de assunto, que os conduz nos mais introspectivos diálogos: "O que disse? Nada! Tem certeza? Sim!"
"Estar sentada aqui dói..."

Sra. Condessa,
Minhas Sinceras Saudações e um beijo,

Teu N.N.

P.S.: AMANHÃ TEM 'RELAXAÇÃO'!!!!

Anônimo disse...

Insanamente vazio ao ser completo.

Cláudio Neves disse...
Este comentário foi removido pelo autor.