sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Metaphysical Nausea.

E sentir o peso em meus ombros. Sentir que deve-se saber falhar, que deve-se aprender a perder. Nem tudo está sob o seu controle e, cada vez mais, o mundo não fará sua vontade.Vejo que não sou mais do que apenas sou, que nem tudo é tão verdade, que a dor é pequena. Sabe, lembro-me de quando era pequeno e todos se derretiam quando me viam sorrir, meu sorriso era minha barganha. Não que o tenha perdido, jamais, mas ele já não exerce efeito nenhum. Sou apenas mais um bobo sorrindo em meio a multidões e que, sem enxergar a dor do outro, sorri dizendo que sabe superar a sua. Aliás, lembrando-me da minha não tão distante infância, percebo o quanto perdi. Deixei de lado aquela constante felicidade (sabendo que dizer isso é redundante, se é feliz...) e vivo apenas momentaneamente alegre. A felicidade vem em ondas, uma vez me disseram, mas a tristeza é que é ondulatória, vem derrubar a alegria e quando consegue, é difícil ressuscitá-la.Sei que escrevo com ar de quem tem uma vida horrível, sei também que não passo de um presunçoso.Minha vida é fácil. Rio. Tão poucos obstáculos, tão pouca necessidade. Mas, vazio, um vazio.E esse eu não consigo preencher, nem mesmo destampar para então procurar o que deve ser posto ali.São tantas as procuras, tão efêmeros são os encontros. A vida segue, assim, incompleta, mas feliz, simplesmente por que não tenho do que me queixar.A alegria me toma, constantemente,e logo se desfaz em uma busca desenfreada e cada vez maior. Desenfreado.Não não tenho freios, apenas não consigo ou gosto de usá-los.
Será que tenho algo para barganhar?Troco favores e não mais sorrisos, troco olhares e não consigo.Não, não, mentira, eu nem sempre consigo o que quero. O que quero é acreditar que sempre consigo o que quero, mas não tem jeito. Eu não consigo.Há tanto que queria poder acreditar... Sempre há, óbvio, mas em mim há mais daquilo que quero acreditar do que eu realmente acredito. No que acredito? Sei, não sei.
Faz tempo que não escrevo. Não esperava escrever algo bom ao voltar. Queria ter tempo pra escrever, e escrever, deixar meus dedos soletrarem minha imaginação.
Vejam como sou louco, até saudade do que nem escrevo eu sinto. E sinto muito.

11 comentários:

Unknown disse...

"Sabe, lembro-me de quando era pequeno e todos se derretiam quando me viam sorrir, meu sorriso era minha barganha."

Duro, mas genial.

"Não esperava escrever algo bom ao voltar."

Não esperava, mas conseguiu.

Thaís Bandeira disse...

Todos nós em algum momento da vida passamos por um período onde vivemos uma falsa felicidade. Tentamos nos conformar com o que a vida nos dá, mesmo não sendo o que desejamos. A eterna busca pelo que não temos é sempre tão boa, principalmente, quando conseguimos o que queremos. E quando não conseguimos, a maré de tristeza volta. Na infância, tudo é mais simples. Um singelo sorriso é o suficiente praquele presentinho. Quando crescemos e vemos o mundo como ele é, percebemos que um sorriso não paga mais nada, e temos que correr atrás daquilo que queremos. Se é difícil, queremos muito e se é impossível, passamos a desejar mais ainda. Mesmo quando não queremos, criamos expectativas e com o tempo, com a falta de realização das coisas desejadas, vem a tristeza. Apesar da maturidade adquirida com o tempo, fica difícil se conformar em não ter aquilo que desejamos. O ser humano vive buscando se sentir completo, uns se sentem completos ao ter um objeto que desejam, outros se sentem completos ao conhecerem algum lugar que tanto sonhavam, porém a maioria de nós se sente completo quando se adquire o maior vício, o amor. Dele não há como se livrar e nem se quer, com ele (sendo ele verdadeiro) não há como se sentir triste. E sua vida, terá total sentindo, quando o vazio que aí existe, for preenchido, seja como for.

WILLIAM ROCHA disse...

Os teus textos vão cada vez mais profundos e vão decifrando os pensamentos do homem a cada linha q, normalmente, não conseguem fazer sentido qndo são postos pra fora... Parabéns!

Anônimo disse...

eiii ana... mt mt bom o seu texto, momentos dificeis sempre acontecem, mas tbm depois passam, e com ctz o melhor ainda esta por vir!!!

continua escrevendo... q em cada texto vc ta se superando viuu!
b-joo

Carlos Jr; disse...

Frente a um texto desses me nasce uma grande dúvida, no que escrever para comentar algo de tanta representatividade.
Metáforas à parte, o sorriso ainda tem um poder barganhador. lembre-se daquelas conversas em que tudo resolveu-se no sorriso?? Além de sabermos aliá-lo a outros favores xD
Bom, também por não estarmos no controle de tudo é o fantástico da vida. dos desafios que ela nos impõe e dos quais conseguimos sair, interessante é quando o erro está certo, alguém já falou isso em escrever certo em linhas tortas.

Por fim, diria: Apaixonante
Que mocinha criativa
Bjs

Marih disse...

Ana, primeira vez que venho aqui e me apaixonei pelo seu texto, essa questão da barganha, ahh tão presente em nós, humanos!
Gostei da maneira como você tratou disso, eu uma vrz li a seguinte frase de Francis Bacon:"A baixeza mais vergonhosa é a adulação"
Eu não concordei, afinal muitas(a maioria) das coisas são conseguidas através dela e não acho isso vergonhoso. E a barganha não seria uma espécie de adulação?!
Bjimm

Felipe Fernandes disse...

Ana, ótimo texto mtu bommm mesmo, parabens pelo blog...

Gostei da seriedade, mas posso falar? o nome Sobre Aulas e Banheiros é sensacional kkkk

voltarei mais vezes!
bjo

­Luiz Fernando disse...

Isso é que chamo de adolescência. Todos conflitamos, todos nos agravamos, mas nem todos sabemos exprimir isso tudo, ao menos não dessa forma.

J.F. Marques disse...

Sensacional o seu blog, e você escreve muito bem, continue assim.
Parabéns ;*

AriFilho disse...

"Vejam como sou louco, até saudade do que nem escrevo eu sinto. E sinto muito. "

As frases de Ana Luiza Valente,
Adoro-as!

Cláudio Neves disse...
Este comentário foi removido pelo autor.