O tempo passou de uma forma que o cigarro e café passaram também. O que eu achava ser seu, hoje é meu. É meu na beira do lago, debaixo da neve caindo. É meu com ela, mas também é meu sozinho. É meu e eu já nem lembro quem é você. Também, são tantos vocês. Tantos com seus cigarros e cafés. No calor de 40 graus, no marasmo do Equador, num café de Paris. E eu aqui, década depois. Parece que vivi dormindo por todos esses anos. Acordei. Não sei se foi o cigarro. Se foi o palco. Se foi ela. Se fui eu. Sei que despertei e o espelho finalmente desembaçou. Reconheço. Não digo que sou a mesma. Afinal antes de dormir o cigarro não estava na minha mão. Agora está. Me tornei para quem eu escrevia. Claro, com um pouco mais de prudência. E é essa prudência que me lembra de ter cuidado para não virar você. Com 50, afogado no passado numa sala de aula, em busca de qualquer feixe de luz que pudesse te queimar. Não, não vai ser assim. Não posso deixar que seja. Penso então que talvez mais que um cigarro e um café preciso permanecer aberto. Aberta pra elas, pra mim, pro mundo. Aberta pra vida. Enquanto me abro, levo comigo um café e um cigarro.
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