sábado, 30 de agosto de 2025

Pilula da verdade

 Vejo uma confusão de barulhos, vozes, risos. Mesmo quando estou sozinha ela não vem. E aquela que achei mágico o encontro, também não. É engraçado o quanto me engano. Não sei se é ingenuidade, se é loucura, se é dificuldade. Sei que sempre entendo errado e dou com a cara na parede. A noite está fria, o pão de beijo acabou e o silêncio continua. Silêncio, em meio a tanto barulho. Tenho vontade de ir embora. Não vou. Não posso permitir mais que esses encontros controlem meu caminho. Não posso entrar em uma espiral de sonhos imbecis e amores inexistentes. Queria que me amassem ou ao menos fingissem consistentemente. Não amam. Fingem dia sim, dia não. Não sei o que sentem. A cada vez que se cruzam nasce uma trincheira e eu no meio. Não escolhi isso. Ela nisso me colocou. A escolha não havia: perde-la ou aceitar. Aceitei. Ela também. Não era o ideal, não era o que ninguém queria. Ainda assim, esquecem que eu, e somente eu, dei tudo que tinha. Queria o mínimo. Ser tratada feito gente. Gente como sou. Como fui com ambas. Queria vontade, sinceridade e não escolhas extremas. Odeio fazer escolhas. Ainda assim sou forçada a fazê-las a cada esquina a cada respiro. Não é possível que assim seja. Tratam-me como se objeto fosse. Pegam o que querem e me descartam. Seja ela, seja a outra, seja ainda uma terceira. Tratam-me mal. Sequer me tratam. E eu vivendo no meio disso tudo com o peito aberto e o coração cheio. Poucas vezes desejei mal a alguém. Pois agora desejo de volta apenas aquilo que me dão. E o que me dão é péssimo. Como se eu robô fosse. Que se vão, então. Pra longe de mim, muito longe. Adeus a ela, adeus a todas vocês. Ou aprendam a me tratar feito gente que tanto deu, ou vão-se embora igual fez a terceira. Quando perceberem que me fui, não estarei mais aqui para retornar. 

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