Tem duas de mim ainda muito presentes, uma fantasma, uma vivendo. Já tive muitas outras mas na distância do tempo se guardaram, se esvairam. Essa outra não. Fantasma porém viva. Um conjunto de memórias e sentimentos atrelados a uma vida que já não é mais minha. You could have had it all. É o que sempre penso. Talvez essa fantasma ainda consiga fazer o coração palpitar, a cabeça descansar. Mas eu que vivo já não sei o que fazer. Estranho. Não sei quem é você por que não sou mais quem fui. Você também é outro. Uma casca diferente, uma vontade outra, uma liberdade além. Era o que eu queria. Sei hoje que a responsabilidade era minha de me dar. Mas essa que é fantasma não sabia. Tentei de tudo pra que você ficasse. Te dei todas as pistas e todas as verdades. Você não quis. Seu outro eu ainda não havia nascido. Se tivesse talvez ficasse, não sei. O que não poderia era ser eu sendo a fantasma. Você me diz querer que eu fosse fantasma com muito do que você hoje vê. Sem tantas mulheres, talvez. Não seria possível. Pra que eu fosse eu era preciso que eu fosse inteira, era preciso que eu nascesse. Mas isso, você já não queria. É uma impossibilidade, então. Pena. Pra mim, fantasma ou eu, sempre é possível quando se ama alguém. Não é posse. Não é dependência. É escolha de amar em liberdade. A cada dia escolher amar. Como escolhi por tantos anos. Eu já te amava assim, com uma quase liberdade que não podia ser. Você poderia ser livre, se quisesse. Poderia acreditar que estar com alguém por escolha cotidiana é maior que estar por promessas de para sempre. Não quis. Agora já não sabe bem o que quer mas pensa saber o que não quer. Eu assisto e calo minha fantasma. Um abraço e tudo vai, tudo vem. Estranho.
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