quarta-feira, 10 de abril de 2024

Minha alma cheira a talco

Foi o palco. Hoje ela não estava lá. Não estava aqui. Vivi. Ela veio pra me lembrar do que vem junto com o palco, mas foi o palco que me trouxe ela. Sem palco, sem riso, sem choro, sem ela, sem elas. Sem ele até. Não digo também que estava morta. Só havia esquecido de quão plenamente viva eu consigo estar. E me contentei com muitos dias sem vida, alguns dias bons e pouquíssimos dias fora da curva. Ela é fora da curva, mas ele também é. Foi o palco. O palco que deu a coragem pra dizer o que eu precisava. Que lembrou a todos os envolvidos o quanto são fora da curva. Ensinou o quanto eles também não podem se contentar com a sobrevida. O quanto essas regras inventadas não nos servem de nada. O quanto ele também sabe tocar os meus botões. Sei lá, eu as vezes acho que gosto de sofrer também. Sentir tanta vida que de repente, é quase morte. Vale a pena. Não consigo suportar a falta de gosto, de tempero. Engraçado encontrar o palco logo aqui, que todos dizem ser sem tempero. Dizem porquê não conhecem as histórias das vidas daqui. Um teatro lotado, quente, claramente improvisado. Cheio de barulho, de música, de cena, de emoção. E de repente a luz na minha cara. O problema é a língua, eu sei. Falo o que acho que faz sentido. Foi o palco. Improvisando um inglês sabendo quem eu sou e de onde venho. Sentindo uma força estranha. Que é minha. Não é dela, nem dele, nem de ninguém. É minha e só minha. Subi no palco. 

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