Caminho distraída lembrando da gente. Lembrando de mim e dos meus sorrisos. Procuro os biscoitos, quentes e frescos. Procuro as fachadas, lembro das opiniões, das perguntas, tantas. Te vejo, mas não é você. Me pego fotografando as coisas pequenas da vida. Você responde na mesma língua. Sinto como quem passa no corredor olhando dentro da casa do vizinho pra ver como ele vive. E a gente não fecha a porta. Deixa escancarada. A cabeça tão nas nuvens que não vejo os buracos no caminho. Quase caio. Mas meus pés andam tão firmes que recupero o equilíbrio. Que firmeza é essa que você me deu? Nem sei se de fato foi você. Se fui eu, se foi a rua. Se foi o palco. Nem sei bem o que você pensa disso tudo. Todo esse mistério. Racional, inexplicável. Digo que me basta ter achado esse cisne, e não preciso que ele chegue perto. Por enquanto. Não sei quanto tempo vou aguentar só com os sorrisos, tropeços, fotos e memórias. Queria mesmo era terminar aquela taça de vinho e no frio e na chuva te puxar pra junto de mim. Bagunçar meu batom, embaçar teu óculos. Tocar sua onda, surfar nela até chegar na tua nuca. Pegar uma corrente pro sul. Dominar tua noite. Quente e fresca. Os biscoitos. Nós.
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