domingo, 14 de dezembro de 2008

Por enquanto.

Última vez que volto pra casa. Casa? O asfalto vai ficando pra trás, correndo sob meus olhos, meu pensamento voa. Que subida leve, deliciosa. Tudo vai diminuindo, tanto quanto sua presença vai virando lembrança. Tantas nunvens, não vejo o céu, não vejo a terra. Pergunto-me então o que tem lá em cima. Engraçado como não me canso de repetir essa pergunta, em todas as idas, todas as voltas, todos os caminhos, o que será que há lá? Queria hoje mergulhar nesse mar de estrelas, mas a noite não está limpa, nem se vê a lua. Curioso, ao meu lado há um homem que também escreve, uma caneta, um bloquinho. Será que ele tambem fala do céu, tão vago assunto? Queria saber o que ele tanto escreve, roubar um pensamento, ele parece ter boas idéias. Uma cidade surge, estamos voando tão baixo. Quando eu era criança preferia viajar durante o dia, acreditava que veria um anjo nessas nuvens, adorava passar por dentro delas. Era maravilhosa a sensação de ver tudo branco, sem saber o que encontraria pela frente, tendo algo no que acreditar. Hoje prefiro a noite. Mais me encantam as estrelas e o tom indefinido do negro céu do que os anjos. Sinto-me mais perto de Deus, talvez até próxima dEle, olhando o mundo por um ângulo próximo do que Ele vê. Aliás, é nesse momento que mais tenho fé, não é possível que isso tudo seja uma mera coincidência, na verdade nada disso faz sentido. Hoje tento não dar atenção aos meus dilemas, não quero falar da vida, não quero falar de amor. Quero apenas jogar aqui belas palavras, dizer coisas que façam sentido, mostrar minha paz, apesar de tudo. Sempre imaginei como seria esse momento. A próxima vez é diferente, o adeus será para outros, chorarei. Partir agora é fácil, na próxima vez em que aqui estarei, o peito vai apertar, a saudade vai crescer e eu vou finalmente sentir o que é deixar tudo isso pra trás. A próxima vez, não digo que será pra sempre, mas será apenas ida, não marcarei a volta. Estarei lendo cartas, ouvindo música, sofrendo quietinha, fechando mais uma caixinha. Última vez que estou voltando pra casa. Qual casa?

3 comentários:

Unknown disse...

Texto leve, em comparação com tudo o que tu tinha escrito até agora. Bom demais ler um assim pra desanuviar, dá uma paz até... muito bom!!

Thaís Bandeira disse...

Infelizmente, a ida definitiva tá mais perto do que longe. Assim como tu sentirá saudades dos que aqui estão, nós também sentiremos...
Com quem vou me esbarrar todos os dias nos corredores, mesmo quando não quero? Ou tentar conversar por alguns minutos que seja? Acho que já está na hora de eu começar a procurar uma substituta pra você. Pode?

Beijos, chatinha!

Fábio Flora disse...

Esse texto é um filme do David Lynch.