domingo, 14 de dezembro de 2008
(des) interessante.
Seu cheiro? Não, não, estou enlouquecendo. Hoje é mais um dia em que eu não sei de nada, estou em cima do muro, olhando o mundo de longe, sem esperança de participar da vida. Nem lá, nem cá. Estou em tantos lugares... Minha cabeça fica aqui, descansando, pedindo arrego, não aguenta mais pensar no que não quer. Meu coração vai longe, uns 3 mil km, talvez. Meu coração não vai só lá, ele vai lá, pega alguém e parte pra outro lugar. Estive pensando nessa minha última vinda, na última vez em que eu voltaria para uma casa nos moldes burgueses, com pai, mãe, irmãos. A partir de agora minha casa será outra, a volta será sempre indefinida, meu coração vai esfriar. Esfriar? Não, ele vai ser mais sensível a todas essas paixões, a todos esses lugares. Meu pai me perguntou onde eu morarei, disse que eu tenho que ter pra onde voltar, não sei. Sabe que eu não sei. O importante é que eu vou. E daqui a uns 4 ou 5 anos eu vou de novo, pra outro lugar. E então o mundo será minha casa, o Brasil meu quintal. Que triste, que poético, que decidida. Quero representar minha nação e mostrar meu orgulho por ser brasileira. Enrolação. Quero sair por aí e fazer algo importante, ajudar, servir, a quem quer que seja, que seja por uma razão. Isso, exatamente, busco uma causa, uma razão pra defender. Minha razão agora é chegar onde quero, conseguir, conquistar. Independente do que vou deixar para trás, não vou parar de tentar. Duvido que essa ainda seja minha convicção quando o adeus for mais longo, quando a saudade for maior, quando a solidão pesar.Do que eu começei falando mesmo? Ah, sim, sim. Você, que já não é o você de outrora, é algo mais real, mais, mais, mais.... Possível. Você é assim, tão perto de mim (tão longe...), tão delicioso é tudo o que temos. E agora que ficarás ainda mais longe, por pouco tempo, quero apenas que não esqueca de mim. Cresci criando a teoria de quem fica, de quem vai. Aquele que fica é o que sofre, o que sente o tédio, o que se vê esquecido. O que vai sempre encontra uma mudança no seu destino que sempre o faz feliz, ou ao menos diferente, e sempre o faz, se não esquecer, esfriar a paixão pelo que ficou. Ir, ficar, estar. Verbos lindos, tão difíceis de serem entendidos. Ter, já mais maleável, talvez cause mais palpitação do que o estar, tão constante que acostuma-se.Aqui estou eu novamente, falando do não ter o que falar. Sei que vou apagar o que escrevo, pena que essa tela não é um papel que eu possa veementemente amassar e arremessar no esquecimento. Minha vida é tão (des) interessante que eu me perco em palavras pouco sutis, amenas, sem sal. Gastei minhas melhores palavras com o seu bilhete, foram bem gastas. Prefiro sua leitura a leitura daqueles desconhecidos que me vêm importunar. Aliás, prefiro sua leitura à leitura daquele que adora me irritar. Tão longe...
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4 comentários:
achei bacana a leitura. quem fica nao sofre. continua sua historia. eu preferi ficar...os outros que se aventurem...eu fico para um dia, eles terem para que voltar...um abraço.
meu blog é adulto.
www.blogdaincerteza.blogspot.com
Belo texto! Mas, o importante, mesmo, é saber que se tem um porto seguro, um lugar para repousar depois de uma viagem tão introspectiva. Faço, do meu porto seguro, o papel. Viajo fazendo recortes da vida e, para cada momento, escrevo o que mais me intrigou. A distância das coisas a que almejo só me fazem ter forças para alcançar meus objetivos o mais rápido possível. E essas leituras me aproximam de quem eu realmente sou.
Parabéns pelo texto, mais uma vez!
=)
Bemmm interessante o texto.
Mas discordo da sua teoria (de quem fica e de quem vai), acho que a pessoa que vai também sofre. E em um caso específico acho muito difícil essa ida causar um esquecimento ou esfriar a paixão pelo que ficou ;)
cê sabia que eu gostaria desse, né?
; )
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