Vejo pedras no chão.Elas tentam me derrubar. Minhas mãos estão molhadas e borradas de preto, meu rosto encontra-se nelas, não sou capaz de gerar mais nenhuma expressão.Vejo pessoas falando, gritando, gemendo.Não as vejo nítidas, elas são apenas vultos.A luz amarela da rua me deixa tonta, estou vacilante e incerta em meu passo.O céu continua estrelado como se não se importasse com o horror do que vê. Há mulheres sujas nos cantos, homens bêbados nas esquinas e há Eu.Eu que não sei como vim parar aqui.
Meu vestido vermelho apagou-se, está rasgado, amassado. Alguem esteve aqui. Tenho sede, sinto dor.Ouço a chuva cair sobre meu peito, seu barulho dói.Vejo na calçada um vermelho que não está em mim, mas está porém, tão violado quanto o meu. É uma rosa, morta. Houve uma vida nela, houve uma vida em mim. Sinto pena dela, tão quieta em sua solidão sem brilho.Ela sabe que a toco, sei que ela sente meu toque. Diferentemente da rosa, não é o mundo que quer me derrubar, fui eu quem se jogou no chão. A culpa é minha, só minha.Encontrei o mal que procurei e não sei mais esconder.
Decidi que aqui imortalizo-me como a rosa imortalizou-se em seu vermelho doce. Nessas ruas vazias de verdade o rio é o único que segue um rumo. Ao rumo me entrego e termino por aqui.
Um comentário:
Na vida a gente cai, levanta e cai novamente. Mas sempre levanta em busca de um lugar melhor. Hoje estendo minha mão para levantar-te.Ofereço meu vaso, minha terra para replantar-te. Oh linda e delicada rosa. Rosa que diz ser forte como seus espinhos, mas é delicada e frágil como suas pétalas!
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