terça-feira, 7 de janeiro de 2014
guardanapos
Jeito de ver as coisas: aleatório. Leio aqui, escrevo lá, finjo que entendi e saio dizendo o que acho. Talvez eu nem ache o que digo que acho, as vezes mudo de ideia. Pelo sim e o não, tento não repetir. Tenho, porém, repetido. Gosto quando gostam de mim. Gosto, e gosto muito. Acho estranho quando me acham interessante, não sei exatamente por que eu seria interessante. Dizem-me que sou chata, acredito. Que sou interessante, sempre comunicado a terceiros ou demonstrado interesse, não acredito. Perto de tantas pessoas tão sabidas de si e do mundo, de filosofos da madrugada e conhecedores de Nietzsche. Perto dos senhores da verdade não me sinto desinteressante. Não. Verdade não tem senhor e são os que sabem disso que eu admiro. Não me sinto à altura dos que fazem filmes e tiram fotos, as de verdade, não as "comprei uma câmera chique e sou fotógrafo crítico". Dos que sabem de música, das partituras e dos instrumentos, não, não chego perto. Os poetas, esses então. Os de coração, não os de status. Poemas me deixam apavorada, sempre tenho medo de falar bobagem. Sinto-me por vezes idiota por não ler Dostoievsky, mas cá entre nós, é uma questão de paciência. Não tenho paciência. Já não finjo mais que tenho interesse em saber de tudo e das cores do mundo, e por isso fico intrigada quando alguns querem conversar comigo. Amo mesmo é quem eu sei que me ama com o pouco que eu sei e me diz que eu sou interessante como sou. Nem nele acredito. Algumas horas não enxergo bem o que eu tenho que o deixa interessado. Sou criança. Mas isso não é um problema. Adiante. Quero então saber, por que se interessa? De nada sei, sobre pouco tenho paciêcia de saber. Só quero viver meus poucos filósofos, meu mundo de fantasias britânicas, meu armário horroroso e meu sofá. Quero viver minha música que grita, que com ela por vezes surpreendo, minha música que dança e entoa bobagens, me dando alegria, minha música profunda básica, que tange a superfície de um oceano de cantorias poéticas e brasileiras. Não é que eu esteja, então, infeliz. Mas só queria entender o que pode haver de tão interessante para quererem conversar, sair para os tais cafés e pensar comigo. O que tenho para oferecer? Ofereço-me e permaneço confusa.
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