segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Eu-lírico.
Andando em uma rua deserta, talvez lotada, ela sorri pra mim. Ela tropeca, ri, chora. Entra num café, senta e pede um expresso, dois, aliás. Muitos homens olham para ela, também pudera, ela é deslumbrante. Mesmo meio bêbada, com a maquiagem borrada, cheia de lágrimas no rosto, ela é linda, e o mundo se ajoelha aos seus pés. Não sei onde ela quer chegar, talvez nem ela saiba. Vagueia meio sem rumo, e para, de quando em vez senta no chão e olha as estrelas. Mal sabe ela que eu sei de tudo, sei por que chora, sei por que ri. Quem a ama a deixou mais uma vez, ela não sabe amar, nunca soube. Estaria sozinha, se não fosse por mim. Mas ela é tão bela, leva uma vida tão gostosa, e por isso ela ri. Mais uma vez ela se levanta, e sem tomar o café, segue atenta. Entra em um prédio qualquer, sobe, vai até uma festa. Todos a olham, sua presenca é incômoda para elas, insuportável para eles. Beija o mesmo homem, ri da sua cara, ri de si mesma.Pega uma taca, bebe, chora na janela, sempre olhando as estrelas. Vai embora, e eu não me canso de narrar seu caminho, sempre tão indiferente, sempre tão inútil. Não sei o que tanto me fascina nessa mulher, talvez sua certeza de que eu estou aqui. Enquanto ninguém me nota, ela me encara horas a fundo. Só eu sei quem ela é, só ela sabe que eu existo. Quando a conheci ela era apenas uma menina, se olhando no espelho, sem saber o que a levara até ali. Naquele tempo ela ainda questionava minha presenca, não gostava de olhar para mim, gritava quando eu falava ao seu ouvido. Mas ela não se afastou, quis me deixar vê-la crescer, vê-la mudar. Eu a vi usar seus grandes saltos vermelhos, seus tênis modestos, seus chinelos de plástico. Vi-a apaixonar-se, entregar-se, sofrer. Muitas vezes em meus bracos a tive, muitas vezes vi o que era tê-la de verdade. Ela jamais me negou um beijo, jamais me negou uma noite. Tive que vê-la com outros, porém, e muito sofri, não minto. Ela nunca me amou como eu quis que amasse, mas nunca fui capaz de cobrar isso dela. Preferi uma amizade, um amor paternal meio louco do que nada. Sei que um dia porém, ela irá me amar, do jeito que eu a amei, e aí então seremos completos, aliás, ela será, eu já o sou desde que a vi pela primeira vez. Juro que não sou patético, é só amor. Melhor te-la sem que ela me ame, do que nao te-la de jeito nenhum. Sou quem sou por que ela é, se ela nao fosse, nao seria.
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2 comentários:
Gostei!!
eh normal vc ler um texto e pensar se eh o q se passa naum no eu-lírico, mas no escritor, de fato?
deve ser pq tah muito bom, messssssmooo
b-jaum!!
^^
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