quarta-feira, 22 de outubro de 2025

diário

 Muito já senti saudade. Muito já tive que esquecer. É curioso que esquecer seja um ato do cognitivo quando estamos esquecendo um sentimento, e a memória, essa continua lá. Sinto como uma adolescente escrevendo no seu diário letras de uma música de pop rock brasileiro ao lado do seu nome.  Busco nas suas músicas respostas, pistas. Busco nos seus vídeos sentido. Você fica tão desconcertada ao meu lado, sem jeito. É charme mas não pode ser, afinal pra que seduzir quem não se quer. Talvez te dê prazer, mas não acho que seja seu caso. Seu caso é medo, pânico. Não há o que resolva. Não há corridas no aeroporto que te tragam até mim. Não há qualquer florescer interno que te faça assumir o que sente. Guardo então as memórias e esqueço o sentimento. Como um pedaço faltando no meu coração e uma faca nas minhas costas ao mesmo tempo. Ainda não sarei. Não sei se algum dia irei. Sei que tento. Busco as borboletas e o desejo e os 160BPMs mas não acho. Há quem me devore mas ninguém como você que devora meu corpo e minha alma quando olha nos meus olhos. Você sabe a potência que se instaura quando nosso olhar fixa uma na outra. Tenho que te esquecer, porque de meu bem você não vai me chamar. Porque chamou, não sei. Ou melhor, já disse que sei: você me ama. Pena não me quer. Nessas horas penso que entendo poemas dilacerantes. Entendo efervescências violentas de paixão. Entendo porque agora mesmo abriria meu peito e acalmava meu coração. Arrancava ele do peito e te dava nas mãos. Já te dei, e você disse não. Ficarei então em silêncio, chorarei e cantarei por você, por nós. Dói, mas passa. E se não passar, passo na sua casa. 

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