quinta-feira, 5 de junho de 2025

Sufocante

 Estou aqui escrevendo para marcar o dia em que você me perdeu. Estou escrevendo para te dizer que hoje, já não posso mais aceitar. Estou escrevendo pra lembrar que sou mulher demais para você. Fique com seu tesão, fique com sua insegurança, só não fique comigo. O parto que foi você ir me assistir no palco.

Estou escrevendo pra dizer tudo aquilo que já disse pra mim mesma. O drama não sou eu, é você. É você achar que o mundo gira ao seu redor. Lá vem você novamente dizer que eu te sufoco apenas por eu querer estar com pessoas que você está. Quem as conheceu fui eu. Quem construiu fui eu. Quem te deu fui eu. Queria eu que fosse sobre isso, mas a verdade é que enquanto você me fazia pensar que o problema era a minha ação, você assistia todo um grupo mentir pra mim, calada. Desleal.

É cansativo crescer, evoluir, mudar, e você parada no tempo. Fiz tudo o que você me pediu. Te dei amor, cuidado, carinho, suporte, todos os dias. Mudei meus planos por você. Dei meu tempo pro seu bem. Não mais. Não tenho tempo, não tenho paciência, não tenho sequer lágrimas mais pra chorar. Não tem salvação se só uma de nós quer fazer diferente. Minha liberdade não foi fácil de conquistar. Não estou disposta a joga-la fora para caber no mínimo espaço que você me disponibilizou pra estar na sua vida. Não cheguei até aqui pra me diminuir por você. Pra ser usada apenas quando necessária. Incluída apenas quando confortável. Meu papel não é, nem nunca será, te deixar confortável. 

Se o que você queria era uma saída, cá está. Meu coração não te quer mais por que não quer mais chorar. Meu corpo respondeu em alto e bom som: chega. As vezes eu preciso sentir na pele pra me escutar. Pois escutei e digo que você não me merece. Chega de mentiras e meias verdades. Sua sorte é que mesmo ouvindo que por seis meses você me aguentou só pelo papel eu não vou ser cruel  e te tirar o que de coração te dei.

Encerro por aqui te dizendo novamente: você se esforçou e conseguiu. Parabéns, você me perdeu. Se estava sufocada, pode respirar a vontade. Se estava ocupada demais pra falar um oi, vá se ocupar ainda mais. Se tudo que eu digo, faço e sonho te assusta, fique sem mim. Se sou difícil, fique na facilidade de viver sozinha. As mãos ao redor do pescoço são as suas próprias, no seu. O jogo acabou. Bem vinda a minha estante. 

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