sexta-feira, 13 de junho de 2025

para Ana

 Escrevo pra que eu possa me lembrar de mim. Antes que eu me perca. Para que se eu voltar a ser bicho, eu volte a ser gente. Andei, e vi. Vivi. Errei. Sobrevivi. 

Disse não por mim. Disse não pra ter mais de mim. Ter meu tempo de volta. Lá atrás larguei sonhos. Agora neles me agarro, pra que eu me mantenha curiosa. Morri, renasci. Vivi quatro vidas. A quinta é minha favorita. 

Disse sim por curiosidade. Por que será que tanto insiste. É preciso saber. Olhar. Sentir. Tocar. E de repente perdida nos meus pensamentos dentro dos seus olhos. Sorri, chorei. Ri sem parar. Fiz rir. 

Olho pra trás e finalmente vejo o que outros veem. O caminho que percorri, as escolhas que fiz. Se diferente fosse aqui não estaria. E é aqui que quero estar. Dando tudo de mim por mim. Por ninguém mais. Aprendi a nadar, já disse. 

Danço e falo e rio e a vida passa assim, leve. Falo do meu coração o que vejo. Não consigo calar. As vezes falo demais. As palavras são tantas e passam tão rápido que parece que preciso as por pra fora. Não é ideal. Mas não sou ideal. Sou um pouco de tudo. 

Admiro minha companhia. Meu reflexo no espelho. Não sei como tanta dor me trouxe aqui. Tanta escolha. Planos enormes, disse meu tio também que coragem tenho. Me enxergo do meu tamanho. Contemplo ao som de maria+ana, you've been good to me and I've been good to you. 

Tantos amores. Tanto amar. Transbordo. Amo por intermédio. Protejo. Não sei não amar. Faz parte do meu experimentar. Do meu viver. Amo tantas, admiro. Acolho. Aprendi a ter comunidade. A pertencer de novo. Meu mundo é esse. Minhas casas são muitas.

Escrevo pra te dizer que fique, que nunca mais queira ir. Que lembre dessa noite, dos amores, dos caminhos e do tamanho. Ocupe o tamanho que tem no mundo. 

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