terça-feira, 3 de setembro de 2024

2 peixes

Depois de morrer a gente renasce. Não sei por que me surpreendo, afinal a gente é gente mas é bicho, muda com a estação. As folhas das árvores anunciam que o outono está chegando, mas meu coração se recusa a dar até logo para o verão.

Nessa busca encontro uma nova forma de manter o calor. Dessa vez tão diferente. Coração igualmente acelerado, mas em paz. De primeira mal vi, só guardei que de Minas era. De segunda você estava acompanhada, e eu também. De terceira você novamente, ela nos seus braços e eu levemente incomodada achando que perdi minha chance. Confesso, fui ácida. Achei vocês juntas uma combinação estranha. Confesso, naquele momento a curiosidade era sobre as duas. Mas o café nunca aconteceu e quanto mais eu te via menos eu queria ir atrás desse café. Quanto mais eu te via mais curiosa eu ficava. 

De repente você me estende uma mão inesperada. Você carregou meu colchão, eu montei sua cama. A gente é peixe e estender mãos é a nossa língua. Você sabe. E a curiosidade crescendo. Nossa vida não parou. Eu precisei morrer pra estar aqui, você precisou ter o coração partido pra me encontrar. 

E então o universo resolve sobrecarregar meus circuitos e a você que eu recorro. Não sei dizer por que. Não sei o que me deu pra de repente te pedir algo assim. A gente estende mão mas eu te pedi uma cama inteira. Fui. E nosso toque então veio. Tão doce. Tão constante quanto eu ansiava. Instaurando suspiros de conforto, de segurança, de ainda curiosidade. 

Confesso fiquei confusa. Eu não quero, eu não posso te machucar. Eu não vou. Estar com você é uma calmaria que meu sistema nervoso pedia. É respirar sem medo. Te beijar é sentir sua respiração e te ver mulher. 

Sua pele ser macia parece óbvio. O toque é de seda. Seu cabelo curto que tanto pede pra se libertar. Eu queria ter ainda mais jogo pra jogar a gente no mundo. Mas eu também ainda estou aprendendo. E a gente navega juntas, em um equilibro preciso e justo. Alívio. Parece que eu posso abaixar minhas armas.

Fui com tanta sede que foi rápido demais. Quero mais. Quero você aqui comigo. Quero você na minha frente, inteira, nua. Quero você nos meus lábios ofegando e me tocando. Quero você também naqueles minutos que resolve me assistir como quem vê um filme rodando a fita na mão. Você e eu entrelaçadas e você se divertindo com a gente. Quero ver suas cores e sorrisos. Ouvir sua voz e me deliciar no seu sotaque, que é o melhor. Te quero de riso frouxo, de peito aberto, em mim.

Olho pra gente e vejo equilíbrio. Vejo justiça. Vejo água, muita água. Vejo duas peixinhas nadando em direção a uma ilha linda e deserta. 

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