quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Paris

Por que sentir ciúmes. Puxar pelo cabelo, jogar no chão, xingar. Louca, desvairada. Você não me disse que viria. Eu te conto até quando vou pra esquina. Não precisava te contar. Não devo satisfações a você. Ela. De propósito. A culpa é sua que fez ela não me contar. Você é o problema. Odeio. Jogar longe, no meio dos carros. Sou mais forte. Para com isso. Até da crise a culpa é dela. Tudo é. Por que você não confia mais em mim? Lembra de quando éramos só nós duas. Nunca fomos mesmo três. Você é louca, para com isso. Não me olha assim como você olha pros outros. O que foi que eu fiz. Olha o que você está fazendo com ela, deixando ela triste. Não vai embora, volta. Foi. E ela atrás. Puxo os cabelos que não escorrem entre os dedos. Feios. Horrível. E ela tão linda. Por que não me disse que estava aqui. Foge de mim, foge de nós duas, sai bêbada, desconfigurada. O que fiz. Tira do meu dedo essa memória, apaguem as fotos, sai da frente. De repente gente, muita gente. Toda gente que conhecemos no mundo. Olha o que você fez. Olha o que vocês fizeram. Olha ela, coitada. Desespero, corro, ela grita. A culpa é minha. Mas por que você não me contou que viria. Não confia mais em mim. Perdi. E um, duas, todos, onde está ela. Procuro, procuro. Já nem ligo mais pra raiva que tinha da outra. Basta não perdê-la. Perdi. Está perdida. Fez bobagens, perdeu pessoas. Mas era só me contar que viria com ela. Vejo. Vai, conversa, ela vai entender. Por favor me escuta. Vem pra longe dos outros. Confia em mim. Confia. Senta ao meu lado, na mureta, de vestido preto e com os olhos borrados pelo que causei. Eu preciso te dizer uma coisa. Desperto. O que vem depois?

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