Não é de verdade, não é real, não é real, não é real. Acorda. Memórias confusas que não me dizem nada sussurram movimentos e rostos. O escuro e o calor, os corpos, os sons, tudo vem a mim e me oprime. Falo de hoje, falo de amanhã, falo da vida, falo de teoria. Ouço, ouço muito perto, estranho. Eles falam, falam, gritam, sussurram e eu não entendo. Um diz um passado, o outro o mais que perfeito, o outro sabe do futuro. Eu não acompanho, nada disso é mais verdade, nem será. Tenho medo do que possam falar, guardam tantos segredos, mas o tempo passa rápido demais e todos se calam. O que eu quero é respirar nesse ar cheio de ofegantes mulheres e orgulhosos homens, não me é permitido, porém, o prazer de sentir meu peito. Lugar cheio, lugar quente, gente, muita gente. Um corpo conhecido, um rosto já visto, muitos nomes. O tempo parado nesse lugar, não sei se é ontem, se é hoje. Cospem memórias que não me pertencem, ou não sei se as apaguei. Fiz isso, fiz aquilo, sou esse, sou aquele. Será assim, vou te encontrar, vou te contactar, vamos conversar. Promessas que não virão, escolhas que não farão. Retiramo-nos desses pontos apertados e falsos há 2 anos, agora rimos de verdade, e olhamos, com razão. Há ainda aqueles que alegram o encontro, mas ainda esses são estranhos, pois são desencaixados. Com esses falo, me gabo, me mostro, e brinco. Esses porém parecem achar engraçado que me transformei, e sei o que ainda pensam de mim. Não quero saber dos que não quero, não quero ver quem não quero e meus olhos ardem, minhas pernas fraquejam, minha cabeça duvida. O que há? Então fica tudo claro e distinguo a batida forte que ecoa pelos ouvidos daquilo que meu corpo me diz. Na luz, na cama, no equilibrio, entendo que tudo pode ter sido só um sonho e que nada mudou. Aqueles que me cercaram, me apontaram, acusaram, não tem relevância, por que estou longe. Aquele que me surpreendeu, que falou muito perto, esse nem mais simpatia tenho. O outro, para quem expus minha mente, esse parece revelar o passado que resultou no presente, e agrada manter apenas essa lembrança.
Estou aqui por tudo que vivi, e já não quero mais saber do antes. No escuro todos são iguais, vultos de uma memória apagada e zonza. Do escuro só quero sair, sentir minha respiração e saber que não há nada com o que me preocupar. Sem os sons alheios, com a música conhecida, em minhas paredes, penso que estou em melhor agora e não há razões para voltar. Alívio, todas as vezes que retorno.
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