sexta-feira, 8 de maio de 2009
Às Aulas.
Deveria eu estar nessa abstracao? Estou sentado em uma cadeira, há um chao abaixo de mim e a noite lá fora. Quem é esse homem que tanto fala, o que ele quer de mim? Confesso que sei que nada ao meu redor é realidade, mas também sei que nao é minha imaginacao. Nao tenho paciencia para ouvir esse homem, nem essa garota, nem minha própria cabeca gritando por uma forma geométrica. Um, duas, tantos, quem sao? Jamais serao, sequer foram, me é dito que é tudo construído e eu quero ter sido natural. Nao me interessa saber por que sou se a razao é tao externa a todos nós, e ao mesmo tempo tao interna. Saber o tudo pra nao entender nada. De que adianta tanta loucura se há apenas o precipício? Nunca chegar ao final, cansar-se da vida, mas nunca achar-se pleno dela. Nao me cansaria da vida, também nao estaria pleno dela, nao vou engolir que isso é o final. Abismo, frustracoes, nao há verdades. Nao preciso de verdades, preciso de perguntas, por favor caro homem que tanto fala, deixe minhas perguntas sem respostas. Estou feliz com minha ignorancia e nao busco mais do que eu posso aguentar. Conceitos, ideias, críticas. Adquirir o mundo e contruir-se sem ser o sujeito da própria construcao. Construir o mundo que será entao adquirido. Nao é natural, nada é natural. Espera, somos animais e eu nao vou acreditar no que esse homem diz, é biológico, é instinto. Ele estar ali falando nao é instinto, eu aqui ouvindo muito menos. Deveria seguir mais meus instintos. Nao ter em que acreditar por ter destruído tudo aquilo que eu senti. Nao quero tantas análises, repudio tantas generalizacoes, o mundo nao é tao transparente. Acharmo-nos responsáveis por tudo que há é no mínimo presuncao. Inventaram o mundo real, complicaram, criaram controles. Agora, é hora de desinventar, desconstruir, descontrolar, desencantar. Deixe meu mundo encantado, ele me é tao mais prazeroso. Já bastam minhas frustracoes que acredito serem reais, nao me imponha mais. O homem é o único animal religioso, também é o único que briga com esse fato. Aliás, nao há fatos, é tudo interpretado. Entao, pra que viver? Nao sei o que faco com o que escuto, nao entendo, nao quero entender, me acho feliz. E pleno. Esse homem me incomoda, me dá nauseas, me faz querer ficar com as tais lentes. Se eu visse o mundo assim tao feio nao veria graca em viver. E considera-se que eu seja pessimista... Chega, abstenho-me dessa discussao. Deixo meu mundo encantado e construído. Meu envolvimento social vai permanecer duplo sem que eu saiba que o é. Ignoro, e isso me dá muito mais prazer. Cansei de tentar abstrair.É essa a minha realidade.
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4 comentários:
Adorei o blog!!!!!
Mas acho que você esta sofrendo de SCRI (síndrome do calouro de ri). É normal todas essas duvidas e objeções . O importante é não se abater, com o tempo as respostas vão surgindo e as coisas vão fazendo mais sentido e melhorando.
Pois é, até eu tinha esquecido que tinha tentado começar um!
haha
"cansar-se da vida, mas nunca achar-se pleno dela"
sabe, gostei bastante.
um abraço.
que desabafo hen! irado, Ana. Continuo lendo seus textos, naum pára naum!
b-jaummmm
Não sei quanto ao seu, mas no meu mundo, o chão onde piso sempre se mostra fraco o suficiente para me mostrar um menos ordinário. É, dá para viver a irrealidade da realidade.
Beijos e saudades minha diplomata! (;
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